Resistência indígena no Congresso

Resistência indígena no Congresso

Por Rinaldo Arruda, diretor-presidente da Operação Amazônia Nativa (Opan)

Há mais de 30 anos os povos indígenas não têm um representante no Congresso Nacional. Este tempo serviu para eles se prepararem: há uma nova geração de lideranças formadas nas cadeiras das universidades e nas palavras dos mais velhos, portadores de saberes tradicionais. Estamos em meio à maior ofensiva parlamentar dos últimos 20 anos: tramitam na casa 33 propostas contra os seus direitos. Isso acontece porque os indígenas e demais povos da floresta são a última barreira à expansão do agronegócio e às grandes obras. Este modelo de desenvolvimento, além de arruinar o meio ambiente, impõe sua vontade, atropelando a Constituição e acordos internacionais dos quais o país é signatário.

Defender o meio ambiente e os direitos humanos é uma atividade muito perigosa no Brasil. O país lidera, pelo segundo ano consecutivo, o ranking da Global Witness (ONG internacional que monitora a violência contra ativistas ambientais e dos direitos humanos) com 57 assassinatos e só dois casos esclarecidos. Isso dá um morto a cada seis dias. No mundo inteiro, houve 207 vítimas. Pela primeira vez, conflitos relacionados ao agronegócio encabeçam a lista, com 46 assassinatos. O setor que mais matava antes, a mineração, caiu para o segundo lugar, com 40. Os povos indígenas são a linha de frente de defesa da floresta. Estão na alça de mira como nunca.

Por esta razão, vão lançar 74 candidatos a cargos eletivos federais e estaduais em 22 estados e no Distrito Federal, por 24 partidos diferentes. O caráter pluripartidário da Frente Parlamentar Indígena reforça o que às vezes algumas pessoas esquecem: eles são cidadãos brasileiros, como outros quaisquer, com os mesmos deveres e direitos, e as suas terras fazem parte do Brasil – e nunca deixarão de fazer. Isso é garantido pela Constituição: o artigo 20 define as Terras Indígenas como bens da União e o 231 diz que elas são inalienáveis – ou seja, não podem ser vendidas ou cedidas. O interesse deles ao criar esta frente é se protegerem e garantirem seus direitos. Mas também preservar a natureza, que é um bem comum do povo brasileiro. Sua luta é de interesse de todo mundo. Eles defendem a água que todos nós bebemos.

Falar é fácil. Mas Mario Juruna (1943-2002) cutucou onça com vara curta em pleno governo do general Figueiredo. Disse para quem quisesse ouvir no Congresso Nacional: “Todo ministro é a mesma panelinha, é a mesma cabeça. Não tem ministro nenhum que presta”. Se dizer ético e honesto, qualquer um faz: mas até hoje Juruna foi o único parlamentar a denunciar tentativa de suborno, quando tentaram comprar seu voto para Paulo Maluf contra Tancredo Neves, na eleição indireta de 1985 para a Presidência. O Cacique Xavante, que criou a Comissão Permanente do Índio na Câmara Federal, cumpriu mandato de 1983 a 1987. Ele abriu caminho. E agora os indígenas acreditam estar preparados para levar adiante o seu legado. E ter Sonia Bone Guajajara como candidata à vice-Presidência é o símbolo maior desse novo ciclo.

Há cerca de 900 mil indígenas, de mais de 300 etnias diferentes, vivendo no Brasil. Eles ocupam 13,8% do território nacional. Diziam que era muita terra para pouca gente. Mas o Censo Agropecuário 2017 do IBGE mostrou que não é bem assim. A atividade agropecuária ocupa uma fatia bem maior: 43%. Em 11 anos, a área ocupada pelo agronegócio cresceu o equivalente ao tamanho estado do Acre e a bancada ruralista tomou conta de 40% da Câmara Federal e do Senado. Por isso é preciso ter em Brasília e nos estados pessoas comprometidas com a defesa das florestas e dos rios, que barrem novos retrocessos legais e que reforcem os órgãos de fiscalização para impedir invasões e desmatamento ilegais em Terras Indígenas e Unidades de Conservação. O Brasil perdeu 71 milhões de hectares de vegetação nativa em 30 anos. Os povos da floresta não podem fazer tudo sozinhos. Eles contam com a nossa ajuda e com nosso voto.

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Desmatamento cresce na Amazônia

Desmatamento cresce na Amazônia

A Amazônia perdeu neste ano uma área de 7.989 km² para o desmatamento, o equivalente a 5,3 vezes a cidade de São Paulo.

A taxa de devastação na maior floresta tropical do mundo foi 29% superior à de 2015. É o segundo aumento anual seguido do desflorestamento no bioma.

Em 2008, um pico similar no desmatamento fez o governo endurecer a vigilância e cortar crédito de fazendeiros nos municípios mais críticos.

Os números recém-divulgados pedem novas e urgentes medidas para o Brasil inverter a trajetória ascendente da destruição florestal.

Via: Observatório do Clima

Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Saiba mais: https://www.observatoriodoclima.eco.br/desmatamento-sobe-29-o-maior-em-8-anos/

Minister Maggi and the Climate at COP22

Minister Maggi and the Climate at COP22

Ministers Sarney Filho (Environment) and Blairo Maggi (Agriculture) received a letter from Observatório do Clima (The Climate Observatory) expressing concern about statements by the latter at COP22 in Marrakesh.

The minister said that agriculture requires US $ 40 billion by 2030 to meet Brazil’s commitments under the Paris Agreement.

The Climate Observatory letter clarifies that, in 2016 alone, the Safra Plan allocated R$ 202 billion to the sector, whose historical default is around 5%.

That is, there is money to finance climate actions in agriculture. It is enough for farmers to pay their debts to the Union.

It is time for environmentalism and agriculture to go hand in hand.

Saiba mais: https://www.observatoriodoclima.eco.br/maggi-diz-que-ndc-e-apenas-intencao/

 

Via: Observatório do Clima

Foto: Flavio Forner / Xibé / Infoamazonia

 

Canadá não será mais movido a carvão

Canadá não será mais movido a carvão

O governo canadense estabeleceu o ano de 2030 como prazo para o país abandonar completamente o uso de carvão para produzir energia. Adeus termelétricas.

Até lá, 90% da capacidade de geração de eletricidade no Canadá deverá vir de fontes renováveis.

Segundo o governo, essas medidas reduzirão as emissões do país em mais de 5 megatoneladas de CO2. O volume equivale à retirada de cerca de 1,3 milhão de carros das ruas.

O Brasil, por sua vez, tem tudo para liderar a economia das fontes de renováveis. Vale a pena para a natureza e para as finanças. Já está na hora de aproveitar nosso potencial.

Via: Exame

Foto: SkyFireEnergy

Saiba mais: https://exame.abril.com.br/mundo/canada-deixara-de-utilizar-carvao-para-eletricidade-em-2030/

Cacique Jorginho Guajajara: mais uma vítima da violência

Cacique Jorginho Guajajara: mais uma vítima da violência

Mais uma liderança indígena é morta no Brasil. O cacique Jorginho Guajajara, da Terra Indígena (TI) Araribóia, na Amazônia maranhense, foi assassinado no último fim de semana. O corpo foi encontrado na manhã do domingo (12/8) na entrada do município de Arame (MA). Jorge era cacique da aldeia Cocalinho I, do povo Guajajara. Os indígenas da região vivem em conflito contra os madeireiros, que invadem suas terras para derrubar árvores ilegalmente. Incêndios suspeitos também costumam castigar a TI Araribóia.

O crime acontece logo após a divulgação do relatório da Global Witness, que revelou que pelo menos 207 defensores ambientais e lideranças foram assassinados em 2017 – 60% dos casos só na América Latina e o Brasil é o país com o maior número de assassinatos: 57 mortes só no ano passado. Ou seja, somos os campeões mundiais na morte daqueles que cuidam do meio ambiente.

O assunto é tão grave que chamou a atenção da ONU e, no dia 3 de setembro, será lançada a Iniciativa da ONU de Direitos Ambientais, no Museu do Amanhã. O objetivo é levar a proteção do ambiente para perto das pessoas, seus porta-vozes e líderes, auxiliando atores estatais e da sociedade civil a promover, proteger e respeitar os direitos ambientais. As questões ambientais e os conflitos agrários são urgentes e o que pensam sobre este assunto os postulantes ao cargo mais importante do país?

Foto: Ecoamazônia

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