março 2018 | Direitos indígenas
O Brasil fez História por linhas tortas. A Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o país por violação do direito dos Xukuru à propriedade coletiva e à garantia de proteção judicial. É uma decisão histórica do tribunal, baseado em San José, na Costa Rica.
Segundo a Corte, o Brasil não atuou em “um prazo razoável” para demarcar o território Xukuru, em Pernambuco. O Estado demorou 16 anos, de 1989 e 2005, para reconhecer, titular e demarcar as terras – uma violação ao direito do povo indígena à propriedade coletiva de seu território.
Os Xukuru foram assessorados no processo pelo Conselho Missionário Indigenista (Cimi), pelo Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop) e pela Justiça Global. Mais uma vez os povos indígenas nos mostram que vale a pena lutar por seus direitos. Mas é uma vitória com gosto amargo para os Xukuru, cidadãos brasileiros como nós.
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novembro 2016 | Desmatamento
Uma em cada duas cidades do Nordeste está em estado de emergência por causa da seca que a região já enfrenta há cinco anos.
O maior reservatório de água da região, Sobradinho, está com 7,1% de sua capacidade.
A atual é a pior seca nos últimos 100 anos, e afeta quase 100% do território nordestino.
Para além dos caminhões-pipa, um combate efetivo ao desmatamento e uma melhor governança dos rios na região dariam um alívio a essa situação calamitosa.
Via Folha de S.Paulo
Foto: Waleska Santiago
Saiba mais: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/11/1829976-seca-de-5-anos-esvazia-reservatorios-e-poe-nordeste-em-emergencia.shtml
agosto 2018 | Alternativas Energéticas, Mudanças Climáticas
Gasta-se luz que é uma beleza no Brasil. Quando o que está em jogo é a eficiência energética, estamos quase na lanterna: ficamos em 22º lugar na lista de 23 países que mais desperdiçam eletricidade, segundo o Conselho Americano para uma Economia Energeticamente Eficiente (ACEEE).
Mas há uma luz no fim do túnel: o Banco Mundial, em parceria com a Caixa, vai investir, nos próximos 15 anos, em tecnologias mais eficientes nas áreas de indústria e iluminação pública urbana. A ideia é reduzir o consumo e as emissões de gases do efeito estufa nas grandes cidades. O país está numa corrida contra o tempo para cumprir as metas do Acordo de Paris e a eficiência energética é o melhor atalho.
Via El País Brasil
Foto: Rafael Bautista
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março 2018 | Alternativas Energéticas
Precisamos formar uma barragem humana; muita lama pode correr por nossos rios se a gente não se unir para protegê-los. Nas últimas semanas, notícias estarrecedoras chegaram de Barcarena e do Rio Doce, mostrando que, junto com a cobiça, o descaso é o grande inimigo do meio ambiente. No início deste mês, o jornal inglês The Guardian fez uma grave denúncia contra a Vale/Samarco/BHP: o consórcio sabia exatamente o tamanho dos riscos que envolviam o rompimento da Barragem do Fundão.
Segundo a publicação, documentos internos de empresa calculavam, por exemplo, que poderia haver 20 mortes em caso de acidente – e, além do Rio Doce, 19 pessoas morreram. Mais de dois anos depois, ninguém ainda foi condenado, as 375 famílias afetadas continuam sem receber suas indenizações e sem casa para morar. Em Barra Longa, município de 5.720 habitantes da região, um estudo do Instituto Saúde e Sustentabilidade detectou altos níveis de níquel e de arsênio no organismo de 11 moradores. O consórcio também vem se especializando também em fazer emendas piores do que os sonetos: suas obras de contenção para impedir que a lama do Rio Doce contaminasse rios do Espírito Santo fizeram a Lagoa Juparanã transbordar, inundando as cidades capixabas de Sooretama e Linhares.
Não foi acidente: a Norsk Hydro, dona da Alunorte, admitiu que fez despejos ilegais de dejetos (poeira de bauxita e soda) no mês passado. A empresa norueguesa também admitiu a existência de rachaduras na tubulação que leva efluentes à estação de tratamento e o Ministério Público Federal divulgou que foi encontrado um novo canal irregular de despejo de minério. As agressões da Norsk Hydro ao Rio Pará e arredores leva a gente a pensar que nada acontece somente por acidente em Barcarena. Desde que um polo industrial se instalou no município paraense, acidentes ambientais são corriqueiros: foram registradas 17 ocorrências de 2000 a 2015.
Enquanto isso, Belo Monte continua gerando problemas, em vez de eletricidade. Não bastasse a sujeira da corrupção que veio à tona na semana passada, quando o consórcio Eletronorte, os partidos PT e PMDB e o ex-ministro Delfim Netto entraram na mira da operação Lava-Jato, o Ibama pediu a suspensão de testes na usina. Cada vez que suas turbinas são acionadas, há mortandade de peixes, inclusive em período de desova.
E em Santo Antônio do Grama, na Região da Zona da Mata de Minas Gerais, um duto da Anglo American se rompeu e despejou minério no manancial que abastece a cidade e desemboca no Ribeirão Santo Antônio. O município está sem água desde segunda-feira. Foram 300 toneladas polpa de minério de ferro e o vazamento durou 25 minutos. A mineradora de origem sul-africana, com sede em Londres, ainda planeja construir em Conceição do Mato Dentro uma barragem quatro vezes maior do que a de Fundão.
Este mês, tem Fórum Mundial da Água em Brasília. É a primeira vez que o evento se realiza num país do Hemisfério Sul. Simultaneamente, acontece. na mesma cidade, o Fórum Alternativo Mundial da Água (Fama). A crise hídrica bate à porta e o Brasil vai estar no centro dos debates. Uma boa oportunidade para debatermos em nome de que estamos pondo nossos mananciais em risco desse jeito. Uma Gota no Oceano e entidades parceiras estão lançando, junto com o diretor Luiz Fernando Carvalho, a campanha Em Nome de Quê? pensando nisso. No dia 19 tem lançamento em São Paulo.
Saiba mais:
Mineroduto se rompe, despeja minério e atinge manancial de água em Santo Antônio do Grama
Vazamento em mineroduto suspende abastecimento de água em cidade de MG
Tubulação de mineroduto se rompe em Minas Gerais
Norsk Hydro admite despejo ilegal
Norsk Hydro informa que tubulação que leva rejeitos tem rachadura
Mineradora diz que jogou água com poeira de bauxita e soda em rio do Pará
Descoberto novo duto ilegal da mineradora norueguesa no Pará
Empresa sabia do potencial efeito devastador do rompimento da barragem de Mariana
Criança apresenta sintomas de intoxicação pela lama da Samarco
10 pontos para entender o vazamento de barragem de mineradora que contamina Barcarena, no PA
Pesquisa mostra chumbo e alumínio acima do normal em polo industrial
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Ibama pede que Belo Monte paralise testes após morte de peixes
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Ibama suspende testes em Belo Monte após morte de peixes no Pará
Gestor quer solução para morte de peixes em Belo Monte
novembro 2016 | catastrophe ambiental, Direitos indígenas
Entre os atingidos pela tragédia de Mariana estão os índios Krenak.
Desde que o Rio Doce foi contaminado pela lama, sua sobrevivência e suas atividades dependem de caminhões-pipa e garrafas de água.
Uma mudança brusca para quem tinha no corpo d’água um local para as crianças nadarem e o gado saciar a sede.
Os índios afirmam que a Samarco demora a apresentar um plano de limpeza e não envia representantes à reserva para dialogar.
Uma pena. A mineradora tem muito a aprender com os povos indígenas sobre como ter uma relação harmoniosa com recursos naturais.
Via Estadão
Foto: Lincon Zarbietti / O Tempo
Saiba mais: https://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,lama-faz-indios-krenaks-depender-de-agua-mineral,10000086316