maio 2018 | Alternativas Energéticas
Diz a sabedoria popular, aquela que não costuma errar, que não se come dinheiro. Mas se é assim, por que adotamos um modelo de desenvolvimento que visa o lucro em detrimento do bem-estar comum? Precisamos mesmo produzir tanto assim? Na natureza não existe crescimento infinito. Então, de onde vem a nossa fome de crescimento? Não é da barriga roncando, por certo: segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), cerca de 1,3 bilhão de toneladas de comida – ou 1/3 do que é produzido por ano no planeta – vai para o lixo. Com apenas 1/4 do que é desperdiçado hoje seria possível alimentar as 870 milhões de pessoas que passam fome no mundo.
Não se discute a importância da agropecuária. Mas se há produção em excesso convivendo com a fome, então por que produzir mais? Além de ser a atividade que mais consome água (70% do total) no mundo, a agropecuária também é a que mais a contamina. A agricultura entra com o vazamento de produtos químicos, e o uso de fertilizantes e pesticidas, que chegam aos lençóis freáticos. E há 20 anos, a pecuária vem tratando o gado à base de antibióticos e hormônios que, eliminados pelos organismos dos animais, penetram no solo e contaminam reservatórios.
Já tem mais smartphone e boi do que gente no Brasil: são 220 milhões de aparelhos em funcionamento e mais de 218 milhões de cabeças para uma população de cerca de 208 milhões. Por causa do desenvolvimento a qualquer custo, estamos sendo despejados do país, seja por causa de grandes obras de infraestrutura – como hidrelétricas – pela especulação imobiliária ou pela expansão da mineração e do agronegócio. O problema atinge campo e cidade. Só a Usina de Belo Monte, no Rio Xingu, desalojou mais de 40 mil pessoas e há 40 anos, o povo Assurini sofre os danos causados pela construção da Usina de Tucuruí, no Tocantins.
O Brasil perde cerca de 20% de toda energia que gera por causa de defeitos nas linhas de transmissão. Investindo na redução do desperdício e do consumo (principalmente o industrial e o residencial), seria possível evitar a construção de mais hidrelétricas. Na cidade grande, o desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida, em São Paulo, mostrou que essa busca insaciável pelo lucro sequer segue a lei básica do mercado: são mais de 6 milhões de famílias, contra 7 milhões de imóveis vazios; ou seja, a oferta é maior do que a demanda. As grandes cidades incham artificialmente e, aos poucos, vão se tornando inabitáveis. É nesse ambiente que queremos viver?
O pior é que não há um vilão palpável nessa história. Quem toca as rédeas do mundo contemporâneo não são governos ou cidadãos, mas as grandes corporações, que agem como organismos vivos. Só que elas não têm alma. A Bayer se fundiu com a Monsanto: agora produz remédio e veneno ao mesmo tempo. Obedecem a uma única lógica: dar lucro a seus acionistas. Não à toa, as grandes corporações são protagonistas dos maiores escândalos políticos, crises econômicas e humanitárias e desastres ambientais do mundo nas últimas décadas. Esse lucro abstrato é prejuízo concreto para todos nós. Em nome de que estamos nos deixando guiar?
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Antes que dê curto
novembro 2017 | Catástrofe ambiental
Parece que foi ontem. A tragédia de Mariana está fazendo dois anos, mas para as vítimas do maior desastre ambiental do país, é como se tivesse se passado só um dia: ninguém foi julgado, indenizações não foram pagas, o Rio Doce continua morto e cerca de mil pessoas ainda não receberam suas novas casas. Mais de 700 dias se passaram, mas o luto dos 540 Krenak não tem dia para passar, desde que 34 milhões de metros cúbicos de lama tóxica tomaram o rio que chamam de Uatu e praticamente extinguiu sua cultura. As crianças hoje aprendem a nadar em caixas d’água e os remédios, tirados da flora nativa, agora precisam ser comprados em farmácias. As cerimônias à beira do rio acabaram e houve quem morresse de depressão, tamanha a tristeza.
Morando provisoriamente em Mariana, em imóveis alugados, famílias atingidas pelo desastre dos distritos rurais de Paracatu e Bento Rodrigues, além de enfrentarem a incerteza, chegam a ser hostilizadas por locais. E devem esperar ainda mais dois anos até que suas novas casas fiquem prontas. O desemprego no município saltou de 5% para 23% desde que as atividades da Samarco foram suspensas. A lama virou poeira tóxica e está espalhando doenças pela região. Os doentes não recebem tratamento adequado: às vezes, mães precisam escolher qual filho levarão ao médico. Em novembro do ano passado, a Justiça Federal em Ponte Nova (MG) aceitou a denúncia do Ministério Público Federal contra 22 pessoas e as empresas Samarco, Vale, BHP Billiton e VogBR pelo rompimento da barragem de Fundão. Mesmo com responsabilidade comprovada, ninguém ainda foi condenado. Brechas na lei congelam o tempo em Mariana.
Samarco e suas controladoras (Vale e BHP) criaram a Fundação Renova para fazer o trabalho social, o de reconstrução e o de restauração ambiental. A previsão é que remoção de resíduos acabe em 2020, e que R$ 2 bilhões sejam pagos em indenizações, mas ainda não se tem a real dimensão do tamanho do desastre. O equivalente a 120 navios petroleiros de lama desceu 55 km do Rio Gualaxo do Norte e mais 22 km do Rio do Carmo até ambos desaguarem no Rio Doce. De lá, rumou para o mar, no município de Regência (ES), percorrendo ao todo 663 km. Não dá para saber ainda qual será o tamanho do estrago no litoral, já que a foz do rio continua a despejar rejeitos. A única certeza a respeito de Mariana é que não devemos esquecer dela, para que tragédia igual nunca se repita.
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junho 2017 | Mudanças Climáticas
Espertos são os nova-iorquinos, que já estão esquentando a cabeça com as mudanças climáticas. Nova York será uma das cidades mais afetadas por ondas de calor neste século e vai enfrentá-las desde já: o projeto Cool Neighborhoods NYC vai investir US$ 106 milhões em telhados verdes e arborização dos bairros mais quentes da Big Apple.
Com prevenção não tem tempo ruim.
Via Pensamento Verde
Foto: mbbarch.com
Saiba mais: https://www.pensamentoverde.com.br/governo/para-combater-o-calor-nova-york-vai-plantar-arvores-e-apostar-em-telhados-verdes/
março 2016 | Alternativas Energéticas
Os crimes contra o meio ambiente e o desrespeito aos direitos humanos também são frutos da corrupção.
O Ministério Público Federal precisa de nossa ajuda para implantar dez medidas que ajudarão a combater este mal com muito mais eficiência.
É uma luta de todos nós!
Conheça melhor o projeto e assine a petição aqui: https://tinyurl.com/q3jfqzu
junho 2017 | Desmatamento
Devastação premiada: a Câmara dos Deputados aprovou ontem as oito emendas da Medida Provisória (MP) 759/16, que dita novas regras para regularização fundiária urbana e rural. Conhecida como MP da Grilagem, ela pode facilitar a legalização de terras invadidas e contribuir com o aumento do desmatamento e de conflitos no campo.
O governo parece uma loja que entrou em liquidação porque vai fechar. A MP ainda pode ser vetada: vamos deixar barato?
Via Agência Brasil
Foto: Getty Images
Saiba mais: https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2017-06/camara-aprova-mp-que-cria-normas-para-regularizacao-fundiaria