julho 2018 | Alternativas Energéticas
Aquela corrente pra frente ajuda a economizar eletricidade. Só no jogo contra a Croácia, houve uma redução de 18% do consumo no país. Isso acontece, entre outros motivos, porque muitos torcedores se reúnem para ver e deixam a TV e a luz desligadas em casa.
No jogo contra o México, o consumo caiu 4.800 MW. É como se todo o Estado do Rio de Janeiro tivesse apagado a luz. Podemos usar esse exemplo de economia de outras formas, como o transporte solidário ou o público. A união faz economizar a força.
Foto: Lucas Figueiredo/CBF
Assista à reportagem do Bom Dia Brasil
agosto 2017 | Área de preservação ambiental
É a ponta de um iceberg do tamanho da Suíça; mas, ainda assim, só a ponta do iceberg. A extinção, por decreto, da Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca) para a mineração, serviu para chamar de vez a atenção da sociedade para os ataques em série do Governo contra o meio ambiente e os direitos dos povos tradicionais – e, porque não dizer, nossos, também. Há quem diga que esta é a maior agressão sofrida pela Amazônia nos últimos 50 anos – maior, inclusive do que Carajás, Serra Pelada e a Transamazônica. Mas, por incrível que pareça, tem coisa muito pior abaixo do nível d’água. Esta é uma oportunidade para trazer à tona os riscos que ainda estão submersos.
A Renca foi criada em 1984, pelos militares, que estavam escaldados pelos efeitos calamitosos de Serra Pelada e temiam outra corrida do ouro desenfreada à região. Com uma área de 47 mil km quadrados, maior que os territórios da Suíça, da Dinamarca ou do estado do Espírito Santo, ela também é rica em ferro, manganês e tântalo. A ideia inicial era que apenas a administração federal pesquisasse e explorasse suas jazidas. Ao longo desses mais de 30 anos, foram mais de 400 requerimentos de autorização para pesquisa. A maioria delas foi negada. A exploração agora foi liberada inclusive para empresas estrangeiras. Vamos mergulhar mais fundo nessa história?
Abaixo da superfície: segundo a BBC Brasil, mineradoras canadenses souberam da extinção da reserva cinco meses antes do anúncio oficial do governo, no dia 24 deste mês. O Canadá vem ampliando a atividade mineradora no Brasil desde o início do ano. Hoje, aproximadamente 30 empresas do país já exploram minérios em território brasileiro, especialmente o ouro. A canadense Belo Sun, por exemplo, aguarda a liberação de sua licença de instalação, suspensa pela Justiça em abril, para começar a exploração do minério na região da Volta Grande do Xingu.
Um pouco mais fundo: a qualquer momento poderá ser votada – e, tudo leva a crer, aprovada – a lei que flexibiliza o licenciamento ambiental para obras e atividade agropecuária no Brasil. E está voltando à pauta o novo código de mineração, que atende bem mais aos interesses do setor privado do que da população. Recentemente, foi aprovada a MP 759, a MP da Grilagem, que facilitará a regularização de terras invadidas na Amazônia, e ainda há o perigo de que a Floresta Nacional do Jamanxim, uma Unidade de Conservação, tenha seus limites alterados.
Em águas ainda mais profundas repousam o Projeto de Lei 4.059/12, que autoriza a “aquisição de áreas rurais e suas utilizações por pessoas físicas e jurídicas estrangeiras”; e a implantação da Lei 13.178/15, que legaliza a titulação privada de terras públicas em regiões de fronteiras. Em artigo publicado no jornal “O Globo” em maio deste ano, Cleber Buzatto, secretário-executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), chamava a atenção para a tentativa de desnacionalização do território brasileiro que se escondia por trás dessas medidas. Neste sentido, a inviabilização das demarcações de Terras Indígenas (TIs), com a volta da tese do “marco temporal” à pauta do dia, também faz parte deste empenho. Quando demarcadas, as TIs são registradas como Bens da União pela Secretaria de Patrimônio da União. A Constituição brasileira também veda a sua alienação – ou seja, elas não podem ser vendidas. O que, evidentemente, torna-se um instrumento jurídico praticamente inexpugnável para a apropriação estrangeira do território brasileiro. É a base do iceberg. E foi lá que o Governo instalou o seu pregão: “quem dá mais, quem dá mais? Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três: vendido!”
Aproveite para assinar a petição para tentarmos impedir a destruição da Amazônia.
Saiba mais:
Alvo de críticas, governo anuncia novo decreto sobre exploração na Renca
A polêmica decisão de Temer de abrir uma área gigante da Amazônia à mineração
Mineradoras canadenses souberam de extinção de reserva na Amazônia 5 meses antes do anúncio oficial
Mesmo sem ser reserva ambiental, Renca favorecia proteção da região
Miriam Leitão comenta liberação de reserva mineral para exploração
Governo Temer convoca mineradoras à nova caça ao ouro na Amazônia
Governo libera reserva na Amazônia para exploração
Impasse ambiental
Reserva do Cobre na Amazônia não tem nada a ver com Mariana
‘Revogar a Renca nem é o problema em si’, diz ambientalista
O que está colocado para o código da mineração em 2017
Projeto de lei quer afrouxar licenciamento ambiental no Brasil
Ameaça de desnacionalização
maio 2018 | Alternativas Energéticas
O país do futuro é movido a passado. O Brasil parou nos últimos dias por causa de uma greve de caminhoneiros, que deixou os postos de gasolina sem combustível. O motor a combustão foi inventado em 1866, pelo alemão Nikolaus August Otto. Hoje, enquanto os veículos elétricos começam a tomar as ruas do mundo, o governo brasileiro oferece mais subsídios para a indústria dos combustíveis fósseis. Mesmo em se tratando de eletricidade, estamos atrelados ao século 19: a primeira hidrelétrica brasileira, a Usina de Marmelos, foi inaugurada em 1889. Temos sol e vento de sobra, as tecnologias de produção de energias solar e eólica estão cada vez mais baratas, mas preferimos barrar nossos rios, com consequências quase sempre desastrosas.
Diversificar nossas matrizes energéticas e sistemas de transporte é questão estratégica. Mais ainda, como demonstraram os caminhoneiros: de segurança nacional. Entre as nações de dimensões continentais, o Brasil é o que mais depende de rodovias. Os caminhões transportam 65% de toda a carga do país, enquanto na Austrália essa taxa é de 53%; na China, de 50%; no Canadá, de 43%; nos Estados Unidos, de 32%; e na Rússia, de só 8%. Além de tudo, sai muito mais caro usar caminhões do que trens ou navios. E eles poluem bem mais. Ironicamente, cerca de 15% de toda a carga transportada por estradas é justamente combustível.
Mas nem sempre foi assim: até meados do anos 1920 o Brasil tinha uma malha ferroviária considerável. Hoje, ela está sucateada. Trens de passageiros, só os urbanos. Para cortar grandes distâncias, só de carro, ônibus ou avião. O lobby da indústria petrolífera ganhou a corrida, com voltas de vantagem. O petróleo não serve apenas para mover os veículos, mas também para asfaltar as próprias estradas. É um pacote completo.
O ProÁlcool foi criado há 40 anos como uma grande esperança, mas ficou pelo meio do caminho; também ficou pela estrada o programa de incentivo à produção e ao uso do biodiesel. Atualmente, os derivados de petróleo (gasolina, diesel e querosene de aviação) respondem por mais de 80% de nossa força motriz. Nessa velocidade, quem sabe um dia chegamos ao século 20.
Saiba mais:
Venda de carros eletrificados bate recorde no mundo em 2017
No Japão há mais pontos de recarga para elétricos que bombas de gasolina
Os impactos da greve dos caminhoneiros na economia
3 razões que explicam o fim da era do petróleo barato
Petrobras perde R$ 126 bi em valor de mercado desde início da greve dos caminhoneiros
Brasil precisa dobrar investimento por 25 anos para ter infraestrutura de transporte com ‘mínimo de qualidade’
Uma semana de greve de caminhoneiros e de caos na República Federativa das Rodovias
Se greve persistir, recuperação do campo poderá demorar seis meses
Transporte de cargas no Brasil é dos mais caros e ineficientes do mundo
“Apagão” dos combustíveis expõe urgência da necessidade de descarbonizar os transportes
Greve de caminhoneiros mostra necessidade de outras formas de transporte
Por que o Brasil abriu mão do trem e ficou dependente do caminhão
Circuito curto de alimentos, a saída possível para evitar dependência dos transportes
A cidade que driblou a greve dos caminhoneiros
Greve dos caminhoneiros corta poluição de São Paulo pela metade
E se fosse elétrico?
dezembro 2017 | Direitos humanos
O hexa que não queremos. Um relatório da Anistia Internacional Brasil lançado hoje revela mais uma vergonha nacional: 58 ativistas dos direitos humanos foram mortos de janeiro a agosto no Brasil – durante todo o ano de 2016, foram 66. A maioria estava envolvida em questões ligadas ao meio ambiente e à disputa por terra. Em nenhum outro país morreram tantos.
Há cinco anos lideramos outra lista vergonhosa e macabra: a de ambientalistas assassinados por ano, feita pela ONG internacional Global Watch. No ano passado, foram 49. Dificilmente não repetiremos o triste feito. É um título que deveria causar revolta em todos nós.
Via Bom Dia Brasil
Saiba mais
agosto 2017 | Extinção de espécies
Já pensaram num mundo sem borboletas? Segundo a Fundação Alemã para Animais Selvagens, o número de espécies do inseto caiu pela metade nos últimos 30 anos só naquele país. O mais surpreendente é que estão sumindo mais no campo que na cidade. Justamente onde são mais necessárias. Borboletas e mariposas são fundamentais para a reprodução de várias espécies vegetais. É um ciclo vicioso. A monocultura é uma das principais vilãs: o uso indiscriminado de agrotóxicos reduz a biodiversidade – mata não só insetos como também outros tipos de plantas. Um mundo sem borboletas pode não ser apenas menos colorido.
Via DW Brasil
Foto: Luciano Gollini
Saiba mais