Uma bomba climática. Um estudo inédito para descobrir como o calor afeta o solo da floresta, realizado ao longo de 26 anos, revelou uma consequência preocupante: as mudanças climáticas fazem com que ele libere dióxido de carbono na atmosfera. E este processo que pode se tornar incontrolável, tornando o planeta cada vez mais quente.
A pesquisa foi realizada pelo Marine Biological Laboratory (MBL), da Universidade de Chicago, na Floresta de Harvard, em Massachusetts (EUA), e publicado na revista Science. “Se uma quantidade significativa desse carbono do solo for adicionada à atmosfera, devido à atividade microbiana, isso acelerará o processo de aquecimento global. E uma vez que este processo começa, não há nenhuma maneira de desligá-lo”, disse Jerry Melillo, do MBL. Ou seja, não adianta nem tirar a tomada; tem é que correr para reverter o efeito.
O mesmo ar-condicionado que refresca a sua casa esquenta o planeta. É um círculo vicioso: os aparelhos consomem muita energia e a produção de energia afeta o clima no planeta. Para amenizar este problema, existe uma expressão mágica: eficiência energética. O Ministério de Minas e Energia (MME) anuncia ainda este ano sua proposta para o país. Os fabricantes já deram o seu O.K., e caso as novas normas entrem em vigor, cerca de 40% dos modelos atuais vão sair de linha.
O problema é que no Brasil as coisas continuam sendo feitas pela metade. Os parâmetros que serão adotados aqui estão bem abaixo dos exigidos por outros países. Será que vamos ter que esquentar a cabeça com isso também?
O MME abriu uma consulta pública sobre o tema. Dê a sua opinião.
O Mar de Aral, no Cazaquistão, já foi um dos maiores lagos do mundo. Não à toa, era chamado de mar; daqui a pouco, vai ser conhecido como poça.
A ação do ser humano não só o condenou, como está fazendo desaparecer outras paisagens, como o Lago Powell (EUA) e a Floresta de Mabira (Uganda). A Amazônia segue seriamente ameaçada, e as geleiras Pederson, Carroll, Oso e McCarthy estão simplesmente sublimando.
Os direitos dos povos tradicionais estão sofrendo ataques sem precedentes e a situação tende a se agravar diante do cenário de instabilidade política que o país atravessa. Os índios são os guardiões das florestas e as florestas ajudam a regular o clima. Logo, o problema deles também é nosso. Por isso, precisamos estar mais unidos do que nunca.
Estamos na Semana do Índio e em contagem regressiva para o Acampamento Terra Livre (ATL) 2017, que acontece de 24 a 28 de abril, em Brasília. O evento será norteado pelo lema “Unificar as lutas em defesa do Brasil Indígena”. É preciso garantir os direitos originários dos povos indígenas, garantidos pela Constituição de 1988. Demonstre o seu apoio assinando a petição Presidente Temer e ministro Serraglio: respeitem os direitos indígenas!
A presidente Dilma foi o que menos demarcou Terras Indígenas (TIs) desde a redemocratização, mas incrivelmente a situação piorou depois do seu afastamento. A Funai está debilitada como nunca (no fim do mês passado, foram cortados da instituição, numa só canetada 347 cargos comissionados), e Legislativo e Executivo vêm apresentando projetos para dificultar novas demarcações e até mesmo rever as antigas.
O ataque é incessante e nem mesmo a série de escândalos de corrupção envolvendo nomes do alto escalão do governo (como os ministros da Justiça e da Agricultura) parece capaz de detê-lo. Somos a única linha de defesa realmente eficaz.
Então, vamos fazer ecoar nosso grito: mexeu com o índio, mexeu com o clima!