Pequeno produtor alimenta o Brasil

Pequeno produtor alimenta o Brasil

O agronegócio ganha as manchetes e leva os tapinhas nas costas, mas quem bota comida na mesa do brasileiro ainda é o pequeno produtor. Segundo o IBGE, 70% dos alimentos consumidos no país vêm da agricultura familiar, que também gera 74% dos empregos no campo.

O agronegócio investe na monocultura, destrói o meio ambiente, é tocado por máquinas e foca no mercado externo: das 115 milhões de toneladas de soja colhidas no Brasil em 2017, 78% foram para a China. Em troca, recebe crédito maciço do governo, enquanto a agricultura familiar, que bota o feijão e o arroz em nossas mesas e é mais sustentável, fica com as migalhas.

Via DW Brasil

Imagem: Brandon & Meredith

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Nova York contra as mudanças climáticas

Nova York contra as mudanças climáticas

É guerra: Nova York toma uma decisão histórica e vai entrar na Justiça contra as maiores petrolíferas do mundo, por causa dos efeitos das mudanças climáticas. A cidade também vai tirar dinheiro que investiria na indústria de combustíveis fósseis.

Nova York foi atingida pelo furacão Sandy em 2012 e tem sido vítima de constantes inundações. O prefeito da cidade, Bill de Blasio, acusa as empresas de conhecerem os danos que causam ao clima e de mentirem para a população. Mais uma derrota dentro de casa para o presidente Trump.

Via The Guardian

Foto: Neil Beckerman/Getty Images

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Um alívio imediato para o clima

Um alívio imediato para o clima

Mais de cem países manifestaram seu apoio pela aprovação de uma emenda “ambiciosa” ao Protocolo de Montreal. Caso seja aprovada, ela poderá reduzir em de 100 a 200 bilhões de toneladas as emissões de gases do efeito estufa até 2050, e esta redução poderá ser ainda maior caso se invista em tecnologias com maior eficiência energética.

Isso representaria um refresco de 0,5º C na temperatura média global até 2100. Só assim será possível cumprir as metas do Acordo de Paris.

#AlívioImediato #MelhoraEsseClima #LideraBrasil #CadaGotaConta

Natureza e direitos sitiados

Natureza e direitos sitiados

O cerco está se fechando. Em 5 de junho se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente, mas não há muito o que celebrar: a natureza e os direitos dos povos tradicionais estão sitiados. Projetos de Lei, Medidas Provisórias e Propostas de Emenda Constitucionais chegam ao Congresso como um rolo compressor: se um é reprovado, outro similar é proposto no lugar. É preciso ficar atento para proteger todos os lados.

No momento, há ameaças que pareciam extintas há dois séculos, como o trabalho escravo. Além desta, outras pautas merecem atenção redobrada. Elas dizem respeito à liberação de mais tipos de agrotóxicos, do plantio da cana-de-açúcar na Amazônia e da caça de animais silvestres; à flexibilização do licenciamento ambiental; à venda de terras para estrangeiros; ao aumento do desmatamento; e ao ataque às Unidades de Conservação e aos direitos dos povos indígenas. É preciso se armar com informação consistente e montar a barricada.

Defender o meio ambiente é estar sempre preparado para a luta e pensar adiante, não só no dia de amanhã. Mas se engana quem acredita que só as próximas gerações vão encarar as consequências desse ataque. Em 2030 – ou seja, em 12 anos – podemos ter perdido 40% de toda água potável da Terra; ondas de calor e frio extremos estão se tornando corriqueiras. É trabalhar, inclusive, contra adversidades financeiras. A natureza e os direitos do cidadão são rifados sempre que falta dinheiro em caixa do outro lado.

Em cinco anos, o orçamento do Ministério do Meio Ambiente perdeu mais de R$ 1,3 bilhão. Agora mesmo, para financiar a redução do preço do óleo diesel depois da greve dos caminhoneiros, o governo cortou verbas de programas como o de Assistência Técnica e Extensão Rural para Agricultura Familiar; o de Apoio ao Desenvolvimento de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono; o de Demarcação e Fiscalização de Terras Indígenas e Proteção dos Povos Indígenas Isolados; e o de saneamento básico em comunidades ribeirinhas.

Talvez esteja na hora de a gente mudar de estratégia também. O governo tem recuado diante da pressão popular. Foi assim no ano passado, quando de sua intenção de liberar a Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca), no coração da Amazônia para a mineração, e agora, quando acatou a uma indicação política para a presidência do ICMBio, um órgão técnico. Se o ataque é a melhor defesa, então é hora de virar o jogo no campo do inimigo.

Há duas iniciativas populares tramitando agora no Congresso Nacional: depois de um ano de espera, a comissão que vai analisar a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNaRA) foi finalmente instalada na Câmara; e está para sair o parecer da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, que pode transformar a proposta Desmatamento Zero em Projeto de Lei. É hora de partir para cima.

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Conquistas e desafios

Conquistas e desafios

O ano que passou foi tão disputado no campo socioambiental que teve prorrogação: muitas decisões importantes ficaram para 2018. Empenhamos tanto esforço que até esquecemos de agradecer a todos que estiveram do nosso lado até o apito final – seja traçando a estratégia do jogo, dando chutão para escanteio ou partindo para o contra-ataque. E também de celebrar as novas parcerias firmadas: seguindo com o jargão futebolístico, podemos dizer que foram reforços de peso. E nada como celebrar vitórias e demonstrar gratidão para ganharmos novos fôlego e entusiasmo para os muitos desafios que temos à frente.

“Salve o verde do Xingu, a esperança/A semente do amanhã, herança/O clamor da natureza a nossa voz vai ecoar/Preservar!”: começamos o ano no compasso do samba desfilando a causa indígena na Avenida com a Imperatriz Leopoldinense, do carnavalesco Cahê Rodrigues, e os povos da floresta representados por lideranças como os caciques Raoni e Megaron, o pajé Sapaim e Sonia Bone Guajajara, coordenadora-executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), parceira de tantas lutas; a guerreira Antonia Melo, do movimento Xingu Vivo; o documentarista Todd Southgate, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e a International Rivers. Depois se juntaram ao bloco as atrizes Gloria e Cleo Pires, e Antonia Moares, na campanha Mexeu Com o Índio Mexeu Com o Clima; indígenas de outros países latino-americanos que vieram participar, pela primeira vez, do Acampamento Terra Livre; e o diretor Luiz Fernando Carvalho, com quem estamos desenhando uma nova jornada, junto à Operação Amazônia Nativa (Opan) e aos povos da Bacia do Juruena. Muitas gotas de suor.

Depois, entramos para valer no campo dos direitos dos povos quilombolas, convocados pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq). Nessa peleja, estiveram conosco na linha de frente os jovens atores Ícaro Silva, Letícia Colin, Sophia Abrahão e Sérgio Malheiros, e nossos velhos parceiros do Instituto Socioambiental (ISA); e garantindo a retaguarda, as mais de 100 mil pessoas que assinaram a petição Nenhum Quilombo a Menos e compartilharam nossos vídeos de campanha.
A bola já está rolando em 2018. Quem ainda não se juntou ao time, pode escolher a camisa, pois desafios não vão faltar e toda ajuda é bem-vinda. Nosso grito de guerra é o mesmo: nenhum direito a menos!

Neste ano, a véspera do Carnaval já nos reserva um desafio: dia 8 de fevereiro será retomado no Supremo Tribunal Federal (STF) o julgamento mais importante da história dos quilombolas. É hora recuperar forças lembrando que quando o caso voltou a ser julgado primeira vez, em agosto, a luta dos descendentes de africanos escravizados no Brasil ainda não era tão conhecida; hoje, é até tema de novela da Globo. Ou seja, em 2018 a equipe está muito bem reforçada.

A Conaq puxou o coro: quilombo preserva, nenhum quilombo a menos! Só não entendeu quem não quis que, assim como acontece com os povos indígenas, a causa não era só deles, mas de todo mundo. Quilombo é a História do Brasil viva e garantia de terra preservada. Vamos ganhar essa primeira briga para reforçar ainda mais os nossos laços para as próximas. Em jogo desta vez, no time rival, está o velho fantasma do “marco temporal”, que há anos assombra os indígenas. No ano passado, os dois povos se aliaram em torno de uma causa comum; está na hora de botar esses times e torcidas mistas em campo novamente. Demarcação, já!

Mexeu com o índio e com o quilombola, mexeu com o clima. Ainda não inventaram jogada melhor do que a demarcação de terras dos povos tradicionais para a preservação das matas. E as florestas ajudam a regular a temperatura no planeta. Em 2017, demos um passo além noutra velha parceria e nos tornamos membros do Observatório do Clima.  Essa troca de passes nos fornece um repertório de informações que será fundamental para traçarmos nossa estratégia para a nova temporada. Bola pro mato (sempre!) que o jogo é de campeonato.

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