janeiro 2018 | Direitos indígenas
Pecado mortal: “os povos da Amazônia nunca foram tão ameaçados nos seus territórios como agora”, disse ontem o Papa Francisco em sua visita ao Peru. Para ele, os indígenas são “os primeiros seres da Criação Divina”.
Em encontro com quatro mil lideranças em Puerto Maldonado, na Amazônia peruana, o Papa também alertou para os “colonialismos ideológicos disfarçados de progresso”. Que esta mensagem impeça que o Brasil, país que se orgulha de ser cristão, embarque definitivamente numa carroça rumo ao século XVI.
Via Jornal Nacional
Foto: Rodrigo Abd/AP
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julho 2018 | Desmatamento
Se no futebol já não somos mais os tais, também estamos perdendo pontos no campo da preservação ambiental. O Brasil já foi considerado um campeão na área, mas ultimamente só temos marcado gol contra: um estudo publicado na prestigiada revista científica Nature Climate Change aponta que os retrocessos ambientais dos últimos anos podem custar a palavra que o país deu no Acordo de Paris; ou seja, corremos o sério risco de não cumprir as metas com as quais nos comprometemos no tratado climático. Tudo por causa de uma barganha política, que vem fazendo o desmatamento avançar.
Graças ao jogo de equipe de um governo na marca do pênalti com a bancada ruralista, a motosserra voltou a correr solta na Amazônia e no Cerrado. E não só a reputação de nosso país e o meio ambiente que estão ameaçados, mas também as finanças. Para compensar os efeitos da derrubada da floresta, em grande parte causada pelo agronegócio, outros setores da economia brasileira teriam que gastar US$ 2 trilhões em tecnologias – ainda não 100% testadas – de descarbonização.
Este valor é até três vezes maior do que o que seria gasto para conter emissões por meio de preservação ambiental – ou seja, na luta contra as mudanças climáticas nada é mais barato ou eficaz do que parar de desmatar. E o prejuízo seria global: os demais países teriam que rachar US$ 5,2 trilhões para conter o aumento da temperatura média o planeta em até 2°C. Em nome de que estão rifando o nosso futuro?
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Segundo os autores da pesquisa, cientistas das Universidades Federais do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, e da Universidade de Brasília, o troca-troca em Brasília deve resultar na emissão de 1,8 bilhão de toneladas de gases do efeito estufa em 2030 – um número 50% maior do que o prometido no Acordo de Paris. “O retrocesso para uma política do século 19 terá que ser compensado por tecnologias do século 21, ainda caras e pouco disponíveis”, diz Roberto Schaeffer, professor de planejamento energético da Coppe/UFRJ.
O Brasil também joga contra si mesmo quando o assunto é combustíveis fósseis. Enquanto o resto do mundo toma o caminho das energias renováveis – só a China vai investit US$ 360 bilhões no setor até 2020 e desistiu de construir 85 termelétricas a carvão –, o país já gasta cerca de R$ 68 bilhões por ano com subsídios para petrolíferas. Para piorar, ainda tramita na Câmara a Medida Provisória 795, que concede isenções tributárias para a indústria do gás e do petróleo que poderiam ultrapassar R$ 1 trilhão em 25 anos.
O Banco Mundial anunciou em dezembro que até o ao que vem deixará de financiar projetos de exploração e extração de gás e de petróleo. Em janeiro, foi a vez da prefeitura de Nova York comunicar que retiraria US$ 5 bilhões de investimentos em combustíveis fósseis; e na semana passada, foi aprovada na Irlanda uma lei que determina que o país pare de aplicar dinheiro público no setor. A própria Petrobras firmou este mês uma parceria com a empresa francesa Total para investir em energias solar e eólica. Parece até ironia.
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outubro 2016 | catastrophe ambiental
Terceiro maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, a Índia ratificou ontem o Acordo de Paris.
O gigante asiático responde por 4,1% do volume de poluentes lançados globalmente na atmosfera. Os 62 países que já ratificaram o tratado somam quase 52% das emissões mundiais.
As atenções se voltam para a União Europeia. Aprovada pelos ministros do bloco, a ratificação vai agora a votação no Parlamento, talvez já amanhã.
Com a adesão da União Europeia, de onde saem 12% das emissões do mundo, seriam cumpridos ambos critérios para o Acordo de Paris entrar em vigor.
Isso ocorrerá quando 55 países, representando ao menos 55% das emissões globais, ratificarem o tratado climático.
À espera, o planeta prende a respiração.
#AlívioImediato #MelhoraEsseClima #AcordodeParis #CadaGotaConta #ÉagotaDágua
Via: Folha de S.Paulo
Foto: AP Photo/Channi Anand
Saiba mais: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2016/10/1819035-terceiro-maior-emissor-de-poluentes-india-ratifica-acordo-de-paris.shtml
janeiro 2018 | Quilombolas
Uma notícia e três lembretes: a Vale foi condenada por danos ambientais no quilombo de Jambuaçu, em Moju (PA). O que precisamos nos lembrar: fevereiro está aí e no dia 8 os quilombolas vão enfrentar um julgamento decisivo no STF, e que neste início de ano a pressão pelas aprovações da nova lei de mineração e da que flexibiliza o licenciamento ambiental será grande.
E a principal lembrança: se os quilombolas de Jambuaçu derrotaram a Vale, não há luta que não possamos vencer. Nenhum direito a menos!
Via DW Brasil
Foto: Agência Vale
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janeiro 2018 | Alternativas Energéticas
Era nuclear, será solar. Em 1986, um reator da usina de Chernobyl, na Ucrânia, explodiu e espalhou radiação por três quartos da Europa, tornando uma área de 2 mil km² inabitável pelos próximos 24 mil anos. Agora, depois que um novo sarcófago de concreto foi feito para isolar a estrutura radioativa, 3,8 mil painéis solares estão sendo instalados por lá.
Em breve, eles gerarão 1 megawatt que, aproveitando a rede de distribuição original, serão transmitidos para longe dali. É quase uma ressurreição energética – e limpa. E também resolve outro dilema: onde construir grandes usinas solares, que ocupam tanto espaço? Chernobyl aponta outra solução.
Via O Globo
Foto: Genya Savilov/AFP
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