Fogo na Amazônia

Fogo na Amazônia

Tacaram fogo no Brasil. Setembro registrou o maior número de focos de incêndio no campo e na floresta da história: mais de 197 mil. Quase metade deles, na Amazônia. Em setembro de 2016, foram 44 mil focos; a média para o mês é 55 mil. E não dá para explicar tanto fogo apenas por fenômenos naturais, como a seca que castiga diversas regiões do país: na maioria das vezes – senão todas -, foi o homem quem riscou o fósforo. E de propósito.

“Raios e fenômenos espontâneos são responsáveis por, no máximo, 1% dos focos de incêndio registrados. A baixa umidade do ar apenas cria condições favoráveis aos incêndios, mas é a ação humana que causa a queimada”, diz o coordenador do Programa de Queimadas e Incêndios do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Alberto Setzer. “Nessa época do ano, praticamente 100% dos incêndios são causados por ação humana”, confirma Gabriel Zacharias, coordenador do Prevfogo, órgão do Ibama de prevenção e combate às queimadas. Setzer lembra que as queimadas antecedem o plantio de grãos. As áreas incendiadas em seguida são desmatadas e ocupadas, como parte da estratégia de invasão de terras públicas. É a velha história: onde há fumaça, há fogo.

O fogo queimou o país de norte e sul, incluindo Unidades de Conservação e Territórios Indígenas. Um incêndio destruiu 1.200 hectares de Mata Atlântica na Serra da Bocaina, na divisa entre Rio e São Paulo; outro, queimou 4.300 hectares da Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso; o estrago no Parque Nacional do Araguaia equivale a uma área duas vezes maior que a cidade de São Paulo; o Parque da Ilha Grande (divisa de Mato Grosso do Sul com o Paraná), perdeu 35 mil hectares; e o Parque Indígena do Xingu, 39 mil hectares, ou 15% de sua área. Os incêndios são o prenúncio de uma taxa de desmatamento que deve ser tão alta quando a de 2016, e de uma taxa de emissão de gases bem acima do nosso compromisso com o Acordo de Paris.

O Brasil tem o melhor sistema de monitoramento de queimadas mais robusto do mundo. São dez satélites que fazem uma varredura ininterrupta do país, gerando 250 imagens por dia. Mais difícil é combater o fogo. Não bastasse o tempo seco, o governo ainda cortou 43% do orçamento do Ministério do Meio Ambiente. “O mais importante é não colocar a culpa na seca, que acontece há anos, com maior ou menos intensidade. Enquanto não houver uma fiscalização que consiga dar conta desse monte de queimadas, a gente vai lidar com incêndios florestais”, diz Cláudia Ramos, pesquisadora do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará. Cortar verba de combate a incêndio é como jogar gasolina no fogo. 

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Na Amazônia, até áreas alagadas estão vulneráveis à incêndios

Na Amazônia, até áreas alagadas estão vulneráveis à incêndios

Um estudo internacional liderado pela UFRN utilizando imagens de satélite e de campo, revelou que as áreas inundadas na Amazônia podem sofrer com incêndios e fazer a floresta entrar em colapso.

Foram analisadas imagens de um período de quase 20 anos e descobriu-se que as regiões de várzea são as mais vulneráveis a incêndios. Essa descoberta sugere que, se o clima amazônico se tornar mais seco, a floresta terá fortes impactos nas áreas alagadas durante as cheias.

A equipe do estudo fez a descoberta combinando dados de satélite e de campo, referente a toda a bacia, com informações sobre mais de 250 incêndios florestais, para comparar como a resiliência florestal varia entre áreas inundáveis e não inundáveis, e em relação às variáveis climáticas.

Os autores mediram as taxas de recuperação florestal após os megaincêndios de 1997 e 2005, como uma indicação de resiliência. Eles descobriram que o impacto do fogo na estrutura da floresta e na fertilidade do solo era maior e mais persistente nas planícies inundadas.

 

Via: O Globo
Saiba mais em: https://glo.bo/2o1kN6e
Foto: Chico Batata

Cadê a Mata Atlântica que estava aqui?

Cadê a Mata Atlântica que estava aqui?

Mais de um mês depois do rompimento da barragem da Samarco, a dimensão dos impactos ambientais continua desconhecida.
Em parceria com o Instituto de Pesquisas Espaciais a Fundação SOS Mata Atlântica divulgou um relatório da destruição da vegetação e ainda aguarda análises do grau de contaminação das águas.
“O estudo constatou que a lama de rejeitos impactou uma área total de 1.775 ha, ou 17 km2, desses municípios, incluindo-se regiões de vegetação nativa ou alteradas por pasto, agricultura e malhas urbanas. A lama removeu um total de 324 ha de áreas de Mata Atlântica, sendo 236 ha de florestas nativas e outros 88 ha de vegetação natural.”
Saiba Mais: https://migre.me/sn61J

Foto: SOS Mata Atlântica 

Energia solar caseira em alta

Energia solar caseira em alta

Choque de realidade. Com a conta de luz chegando às alturas, o consumidor corre atrás de alternativas: em um ano, aumentou mais de dez vezes o número de casas com energia solar no Brasil. Pulamos de 60 mil residências movidas a sol em 2017 para 633 mil em 2018. E a tendência é que esse número cresça bastante, já que o BNDES abriu uma linha de crédito especial para pessoa física – ou seja, o cidadão comum -, para aquisição de painéis solares.

O modelo também movimenta a economia: entre 25 e 30 empregos são criados no Brasil a cada megawatt de energia gerado. Hoje, o setor soma mais de 20 mil empregos diretos e indiretos. Ou seja, o sol nasce para todos.

Via UOL

Foto: Vivagreen

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Garimpo ilegal está contaminando e pode matar índios Yanomami

Garimpo ilegal está contaminando e pode matar índios Yanomami

Davi Kopenaw voltou a ONU para denunciar os perigos enfrentados pelos índios no Brasil, principalmente os Yanomami, como fez nos anos de 1980. Naquela época, ele denunciou a invasão de mais de 40 mil garimpeiros em Terras Indígenas, que resultou na morte de aproximadamente 20% dos índios da região por malária, fome ou vítimas de impactos causados pela mineração.
Na semana passada, na convenção da ONU em Genebra na Suíça, a liderança Yanomami voltou a denunciar novos garimpos ilegais feitos em terras demarcadas. Além disso, a carta assinada por mais de 30 organizações indígenas denuncia também a atual situação da saúde dos seus povos, os ataques vividos por eles e os cortes na Funai feitas pelo governo de Michel Temer.
Leia a entrevista com Davi Kopenaw: https://bit.ly/2q8iiQW

Via: El País
Foto: Bruno Kelly (Reuters)

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