junho 2017 | Área de preservação ambiental, Desmatamento, Mudanças Climáticas
Que tal lucrarmos 70 bilhões de dólares até 2030? Para isso precisamos reduzir o desmatamento e, assim, ganharmos créditos de carbono florestais.
Mas o que significa isso? A partir de 2020, quando o Acordo de Paris entrar em prática, o Brasil poderá usar suas florestas como commodities, ou seja, matéria prima. Mas para isso precisamos ter florestas de pé. Assim, cumprimos nossas metas no Acordo e ainda lucramos.
O estudo foi feito pela Environmental Defense Fund (EDF), baseado em estimativas de preços futuros do carbono. Uma das importantes fontes de receita dessa equação é o REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal).
Esse mecanismo foi criado para recompensar financeiramente países em desenvolvimento por seus resultados de redução de emissões de Gases de Efeito Estufa provenientes do desmatamento e da degradação florestal. Entre eles estão a conservação e o aumento de estoques de carbono florestal e o manejo sustentável de florestas.
Os pagamentos são realizados de acordo com o volume de redução que a atividade promoveu, medidos em toneladas de CO2.
Via: Época
Saiba mais em: https://epoca.globo.com/ciencia-e-meio-ambiente/blog-do-planeta/noticia/2017/06/reducao-do-desmatamento-pode-render-beneficios-de-us-70-bilhoes-ate-2030.html
Foto: Mundo Estranho
março 2016 | Alternativas Energéticas
O governo do Peru decretou estado de emergência em 16 comunidades da Amazônia devido a vazamentos de petróleo na região de Loreto, no Nordeste do país.
A medida, que foi tomada neste domingo, vai vigorar por 60 dias. Não é o primeiro caso registrado no país vizinho este ano, e só em 2010 teriam acontecido 11 vazamentos na região.
Via Agência Brasil
Foto: Alessandro Currarino/El Comercio
Saiba mais: https://migre.me/t8Grt
junho 2017 | Mudanças Climáticas
Há 25 anos, em 14 de junho de 1992, chegava ao fim a Conferência das Nações Unidades sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, ou simplesmente Eco 92 ou Rio 92.
Realizado na cidade do Rio de Janeiro, foi o principal encontro sobre o meio ambiente do século. Pela primeira vez, uma conferência sobre tema reunia tantos chefes de Estado. Quase 180 países estavam representados na cidade discutindo o futuro ambiental do planeta.
Algumas coincidências marcam o momento de 1992 com hoje. A situação política no Brasil era tão complicada como hoje. À época, o presidente Fernando Collor estava envolvido em escândalos que levariam ao seu impeachment.
Assim como assim como Donald Trump, o presidente George Bush não acreditava que as ações humanas impactavam diretamente nas mudanças climáticas. A posição americana na Conferência foi a mais intransigente de todas. Além de não assinarem a Convenção sobre a Diversidade e não ratificaram o Protocolo de Kyoto, ficaram fora do comprometimento financeiro de destinar 0,7% de seu PIB para projetos ambientais. Recentemente, Trump abandonou o Acordo de Paris, mais importante acordo climático depois da Eco 92.

Além de políticos e diplomatas, cerca de dez mil pessoas participaram do evento em outro ponto da cidade, em um grande encontro de ONGs e representantes da sociedade civil. Foi outro marco conquistado pela Eco 92: colocar as ONGs socioambientais em posição de relevância no mundo.
“Atualmente, é praticamente um consenso que o homem contribui majoritariamente para as alterações climáticas. Temos também mais dados, mais resultados robustos de pesquisa e modelos melhores. Sabemos que a elevação da temperatura tem um impacto muito desigual nas diferentes regiões do planeta e que os países têm capacidades desiguais de responder ao problema. E também já sabemos o que é necessário para resolver o problema”, diz a cientista Suzana Kahn Ribeiro, do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU).

Neste mesmo ano que comemoramos esses 25 anos da mais emblemática conferência ambiental, o governo continua promovendo retrocessos seríssimos que contribuem para não alcançar nossos comprometimentos na redução das mudanças climáticas. Medidas Provisórias e Projetos de Lei colocam em xeque a redução do desmatamento e o reflorestamento da Amazônia.
Marcílio Marques Moreira, ministro da Economia, Fazenda e Planejamento à época da Rio 92, lembra que o “Brasil era considerado desorganizado, caloteiro e incendiário porque, além do péssimo momento econômico, também queimava a Amazônia, considerada o pulmão do mundo. Ainda assim, conseguimos passar de país denunciado para hospedeiro”. Nada muito diferente do que vivemos hoje, infelizmente.
Rachel Biderman, diretora-executiva do World Resources Institute Brasil (WRI Brasil) avalia que a falta de coordenação e integração dos órgãos mostra que o país não leva a área ambiental a sério, como fazem China e Índia, nações emergentes que já perceberam a força da economia sustentável.
O Senado Federal promoveu nesta semana uma sessão temática para debaterem sobre a Eco 92, onde ressaltaram que a Conferência foi uma das maiores e mais produtivas já promovidas pela ONU. Em 1992, a Eco 92 foi uma maneira de o Brasil contestar, na prática, a imagem difundida internacionalmente de que o país era poluidor e destruidor. Com o sucesso do evento, o Brasil voltou a ser “bem visto”. Lamentavelmente, nosso cenário político-econômico se assemelha ao de 25 anos atrás. Presenciamos retrocessos ambientais e colocamos na berlinda avanços obtidos nos últimos anos. Voltamos a ter uma imagem esfumaçada pelo descaso.
Abaixo o discurso da canadense Severn Cullis Suzuki de 16 anos, que conseguiu atenção de toda Conferência com uma fala emblemática.
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Fotos: Divulgação; Cezar Loureiro e Orlando Brito
maio 2018 | Direitos indígenas
Dias de luta sem cessar: são quase 190 mil, desde que os europeus aqui chegaram, há 518 anos. Mas a semana do 15º Acampamento Terra Livre entrou para a história de resistência dos povos indígenas brasileiros. E em dose dupla. Além de ter sido a maior edição do evento, com cerca de 4,5 mil representantes de todas as regiões do país, nela foi tomada uma resolução que já pode ser considerada um marco: a de articular a eleição uma bancada própria e pluripartidária no Congresso Nacional, capaz de fazer frente às ameaças aos seus direitos, que vêm do Legislativo, do Executivo e do Judiciário. Esses direitos, conquistados a duras penas na Constituição de 1988 e garantidos por tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário (como a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho), nunca estiveram tão ameaçados como nos últimos anos.
Há mais de três décadas os povos indígenas não têm voz própria em Brasília – desde o fim do mandato do cacique xavante Mário Juruna (1943-2002), que os representou na Câmara dos Deputados de 1983 a 1987. Juruna foi um exemplo de como deve agir um parlamentar ao denunciar uma tentativa de suborno. O objetivo agora é eleger ao menos um parlamentar por estado na próxima eleição, e terão um cabo-eleitoral para propagar essa ideia: Sonia Bone Guajajara, ex-coordenadora-executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), primeira indígena pré-candidata à vice-Presidência do país. E essa decisão não é importante somente para eles, mas para todos que se preocupam com a preservação do meio ambiente e o futuro do planeta. Por isso, desde já todo apoio à bancada indígena!
Unificar as lutas: cada povo tem a sua demanda específica, mas a estratégia escolhida nesta decisão foi buscar um foco, e a retomada das demarcações foi o escolhido. Porque, não bastassem os ataques vindos da bancada ruralista – que, não custa repetir, ocupa desproporcionais 40% das cadeiras do Congresso Nacional – o presidente Temer pediu à Advocacia-Geral da União um parecer que pode inviabilizar futuras homologações, lançando mão do famigerado “marco temporal”. Segundo esse dispositivo, considerado inconstitucional por juristas de renome como Dalmo Dallari e José Afonso da Silva, só teriam direito à posse de suas terras aqueles povos que as estivessem ocupando até a data da promulgação da Constituição (5 de outubro de 1988), mesmo que dela tivessem sido expulsos com o uso de violência.
Além disso, Temer cedeu às pressões dos ruralistas, sua base de sustentação no Congresso, e nomeou um novo presidente para a Funai – o terceiro de seu curto mandato –, mais alinhado aos interesses do agronegócio. Não à toa, a grande manifestação do ATL este ano foi uma grande marcha até o Ministério da Justiça, ao qual a fundação é subordinada. E este dia marcou outra grande vitória: a Justiça Federal reconheceu direito dos índios Myky e Manoki às suas terras, contrariando o parecer da AGU. Pode ter sido aberto um precedente, como o que favoreceu os quilombolas na mesma questão, em fevereiro. Demarcação de Terras Indígenas tem sido sinônimo de florestas e rios preservados. Logo, essa conquista é de todos nós!
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O Brasil é quilombola!
Documento final do ATL 2018
junho 2017 | Alternativas Energéticas
O telefone sem fio não para de tocar e as centrais de boatos funcionam 24 horas por dia. Há uma guerra de narrativas em curso, e a internet é um campo minado. Mesmo os mais atentos podem pisar numa mina; imaginem, então, o cidadão distraído? Na correria do dia a dia, ele acaba tomando por verdade boa parte do que lê nas redes sociais e nos grupos de troca de mensagens. Como reagir? Mais do que nunca, é preciso buscar informação de qualidade, a nossa melhor arma nessa briga. E encontrar boas fontes também é uma boa forma de administrar melhor o tempo, que anda cada vez mais escasso.
A área socioambiental é um dos mais ativos campos de batalha desta guerra. E a luta é de Davi contra Golias. Representando interesses poderosos, Donald Trump disparou contra as mudanças climáticas e se elegeu presidente da nação mais poderosa do mundo; aqui no Brasil, o agronegócio se veste de pop e usa da propaganda enganosa e de sua força no governo para investir contra o meio ambiente e os direitos dos povos tradicionais.
É preciso desarmar esses falsos discursos fazendo o uso de bons argumentos. E a missão de Uma Gota no Oceano é justamente fornecer informação consistente, com linguagem atraente e acessível ao cidadão. Nossos principais aliados são organizações e entidades comprometidas em produzir alguns dos melhores estudos e pesquisas sobre a área, como a Fundação SOS Mata Atlântica, o Greenpeace Brasil, o Instituto Socioambiental – ISA, o Observatório do Clima e o WRI Brasil.
Uma história muito difundida, por exemplo, é a de que o agronegócio precisa expandir suas fronteiras Amazônia adentro. De forma bastante didática, usando gráficos, o Observatório do Clima mostrou que se trata de pura falácia (veja aqui). As conclusões tiradas a partir dos últimos estudos sobre a região mostram por exemplo, que o seu PIB agropecuário cresceu, mesmo com o desmatamento em queda, assim como a produção de carne e de soja. Outra dado significativo: os dez municípios que mais desmataram em 2016 estão entre os mais pobres não só da Amazônia, como do país. E mais: a intensidade de carbono de nossa economia (a quantidade de gás carbono emitida por cada real gerado no PIB) caiu. Até 2014, o país ganhou mais dinheiro poluindo menos.
Caso o índice de desmatamento de 2016 continue nos próximos anos, chegaremos a 2025 com quase o dobro das emissões de CO2 estabelecidas pelas metas do Acordo de Paris. Vamos combater o bom combate? Junte-se a nós!