março 2016 | Alternativas Energéticas
Victoria Tauli-Corpuz, Special Rapporteur of the United Nations on indigenous rights is coming to Brazil.
She is in the country ten days to check if our Indians are being treated with respect and dignity ..
It is a good opportunity to point out the abuses that have been happening and demand solutions.
Via UN Radio
Photo: UN / Jean-Marc Ferré
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maio 2018 | Quilombolas
Se para o indígena a terra é a sua própria existência, para o quilombola, significa liberdade. Assinada em 13 de maio de 1888, pela Princesa Isabel, a Lei Áurea está fazendo 130 anos. É uma data a ser lembrada para que crimes como a escravatura jamais se repitam; mas para os descendentes dos primeiros quilombolas é somente uma vitória a mais em sua longa história. Seus antepassados já haviam conquistado a liberdade – em muitos casos, já no século XVI. E essa liberdade era a terra em que viviam, os quilombos. Havia africanos de diferentes etnias e regiões no Brasil, e essas comunidades eram formadas por essa diversidade. Um quilombo representa o esforço de muitos povos. Mais do que o tom de sua pele, é essa terra que os define.
Além disso, a liberdade concedida pela Abolição da Escravatura não foi completa. Africanos e afrodescendentes não mereceram nenhuma compensação; ao contrário, a sua inclusão na sociedade foi dificultada. A cidadania plena lhes foi negada. Seus direitos foram conquistados gradualmente, com muita luta. Apenas em 1988, com a atual Constituição, os descendentes dos quilombolas asseguraram oficialmente o direito às terras de seus antepassados, onde nasceram e de onde tiram o seu sustento. Mas, como não raramente acontece no Brasil, a Justiça tarda. Somente 4% dos mais de 1.600 processos de titulação de quilombos em andamento no Incra foram concluídos até hoje. A luta agora é assegurar que esse direito se concretize.
Em 8 de fevereiro deste ano, uma dupla vitória histórica: em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), os quilombolas derrotaram o DEM, partido que havia ajuizado uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra a regulamentação de seus direitos, e derrubaram a ameaça do “marco temporal” – tese que defende que só teriam direito à terra aqueles que a tivessem ocupando até a data da promulgação da Constituição, 5 de outubro de 1988. Mas há muito a ser feito ainda.
Só a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) representa mais de 3.500 quilombos em todas as regiões do país, e 2.465 já foram reconhecidos pela Fundação Palmares. Entretanto, o orçamento do programa de reconhecimento de áreas quilombolas do Incra encolheu 94% em sete anos. Comunidades quilombolas preservam áreas de floresta e tradições. E não é apenas no campo que despertam cobiça: existem quilombos encravados em grandes cidades, como Rio de Janeiro e Belo Horizonte, ameaçados pela especulação imobiliária. A luta contra a discriminação também é incessante. Lamentavelmente, a violência contra os negros vem crescendo tanto nas metrópoles quanto nas áreas rurais – em 2017, 14 quilombolas foram assassinados, o maior número já registrado.
Além disso o Brasil, que há 20 anos vinha sendo considerado exemplo do combate ao trabalho escravo, vem retrocedendo nessa área ultimamente, principalmente por pressão da bancada ruralista. Ninguém é imune à injustiça. Quando o seu vizinho perde um direito, os seus também estão ameaçados. A luta pela liberdade requer o esforço de todos.
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julho 2017 | Mudanças Climáticas
Maio e junho em clima de forno de microondas. Segundo o último relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU para o clima, recordes de temperatura foram batidos na Europa, no Oriente Médio, no norte da África e nos Estados Unidos.
Para a OMM, temperaturas acima dos 40°C ajudaram a queimar a região de Pedrógão Grande, em Portugal. Nos EUA, os termômetros chegaram a marcar 49°C. E no fim de junho, foi registrada a temperatura da história em Ahvaz, no Irã (foto), não por acaso uma das cidades mais poluídas do mundo: 54°C. De fritar ovo na sombra.
Via ONU Brasil
Foto: Iran Live Dead
Saiba mais
março 2016 | Alternativas Energéticas
Está virando pesadelo o sonho do carioca de ganhar uma cidade mais limpa em troca de o Rio de Janeiro sediar a Olimpíada deste ano. Depois de a gente ficar sabendo que a Baía de Guanabara só estará despoluída em 2030, a má notícia agora é que a prefeitura abandonou o projeto de recuperação de rios da bacia de Jacarepaguá.
Quem investiu em algum dos vários empreendimentos imobiliários da região, vai levar como brinde um mau cheiro insuportável. Não por acaso, as empresas responsáveis pela obra estão envolvidas em esquemas de corrupção descobertos pela Operação Lava-Jato.
Por isso a gente grita bem alto: #acorrupçãoéinsustentável
Via Uol
Saiba mais: https://migre.me/tmZrg
junho 2018 | Alternativas Energéticas
O tempo está se esgotando: o clima do planeta entrou em parafuso e, se nada for feito, a espécie humana terá que se acostumar a viver num planeta bem diferente – isso se sobreviver, é claro. Pesquisadores da Universidade de Oxford divulgaram um estudo que conclui que caso as emissões de gases de efeito estufa continuem aumentando, entre 2030 e 2049 a média da temperatura global vai subir 1,5°C. Vamos adiantar nosso infortúnio em algumas décadas: este é limite sugerido pelo Acordo de Paris para o fim do século.
Duas notícias recentes diretamente ligadas às mudanças climáticas são especialmente preocupantes: os ciclones estão ficando mais lentos e o degelo na Antártida, mais veloz. Os furacões perderam 10% de sua velocidade nos últimos 70 anos. E quanto mais vagarosamente se deslocam, maior o seu poder de destruição. Já a perda da camada de gelo que cobre o Continente Antártico aumentou três vezes nos últimos cinco anos, fazendo o nível do mar subir mais rapidamente neste período. No Brasil, este efeito vem sendo sentido principalmente no litoral paulista, onde o mar avança terra adentro, com ressacas cada vez mais fortes e frequentes. É hora de tomar uma atitude definitiva pelo clima.
De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), os ciclones se deslocavam em média a 19 km/h em 1949; em 2016, tiraram o pé do acelerador e baixaram para 17 km/h. No Pacífico Norte e no Atlântico Norte, a redução chegou a 30%. Eles se tornam mais destrutivos simplesmente porque ficam parados mais tempo sobre uma determinada região. E quanto mais lentamente se deslocam, mais água transportam também, inundando as cidades por onde passam.
A cada grau que aumenta a temperatura média global, os furacões carregam 10% mais de água. E tem mais água na água: a Antártida perdeu cerca de 84 bilhões de toneladas de gelo por ano de 1992 a 2012; mas nos últimos cinco anos, a quantidade pulou para 240 bilhões. Em consequência, o nível do mar está subindo mais rápido hoje do que nos últimos 25 anos. Esse aumento pode chegar a 23 centímetros até 2050 e a 45 até 2100.
Entre 2013 e 2017, o Projeto Metrópole, um estudo internacional sobre elevação do nível do mar, analisou a capacidade de adaptação às mudanças climáticas de três cidades costeiras: Broward, na Flórida (EUA), Selsey, na Inglaterra, e Santos. Na cidade brasileira, o mar avançou 3,6 cm na última década. A situação no litoral paulista está tão preocupante que o secretário estadual de meio ambiente e os das cidades de Bertioga, Cananeia, Cubatão, Caraguatatuba, Guarujá, Iguape, Ilha Comprida, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos, São Sebastião, São Vicente e Ubatuba assinaram uma carta onde pedem medidas urgentes contra os impactos das mudanças climáticas. É a questão ambiental se sobrepondo à política partidária. Há muito mais em jogo do que supõe nossa vã ideologia.
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