agosto 2017 | Quilombolas
De janeiro a agosto, 13 moradores de comunidades quilombolas foram assassinados no Brasil. Seis deles eram líderes envolvidos em conflitos de terra e a maioria dos casos foram registrados na Bahia. Mas a violência contra eles sequer entrou para as estatísticas. Os quilombolas reclamam da forma como tem sido conduzido os inquéritos, que apontam motivações variadas. “O acirramento dos conflitos agrários e o racismo são os motivos”, diz Selma Dealdina, da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ).
Para a entidade, a lentidão na titulação de terras é a principal agente da violência. A insegurança só aumenta com o adiamento do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pelo DEM para tentar anular decreto que regulamentou este processo.
Ajude a causa quilombola assinando a petição
Via Folha de S.Paulo
Foto: Incra
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maio 2016 | Amazonas
O paraense Celso Lobo foi um dos 50 fotógrafos brasileiros que vão expor imagens do Brasil no famoso museu de Paris.
A exposição Os Brasileiros Vistos Pelos Brasileiros entra em cartaz em outubro. E a Amazônia é a musa inspiradora de Lobo.
“Escolhi imagens que exaltam a natureza, a flora e a beleza amazônica. Também vou mostrar um pouco do estilo de vida ribeirinho”, diz ele.
Pela foto abaixo, dá para se ver que ele caprichou na hora de exaltar a beleza. Uma paisagem estonteante.
Via Portal Photos
Foto: Celso Lobo
Saiba mais: https://migre.me/tL5l5
agosto 2017 | Desmatamento
Quer secar a maior bacia hidrográfica do mundo? Pergunte-nos como. Não tem erro: um estudo da Universidade de Connecticut, publicado recentemente na “Scientific Reports”, aponta que a mão humana pesou sobre a pior seca na Amazônia dos últimos 100 anos. Segundo a pesquisa, o desmatamento e o aquecimento provocado pela emissão de CO2 contribuíram decisivamente para a falta de chuvas na região. Se a devastação da floresta continuar nesse ritmo – o desmatamento cresceu 30% em 2016 –, não vai adiantar fazer dança, nem pedir uma força para São Pedro. A solução precisa vir de nós.
Os cientistas analisaram cinco períodos de estiagens na Amazônia (1983, 1998, 2005, 2010 e 2016) e concluíram que a do ano passado foi a primeira que não pôde ser justificada somente pelo aumento da temperatura da superfície dos oceanos, causada por fenômenos naturais como o El Niño. “Temperaturas acima do normal da superfície oceânica na região tropical do Pacífico e no Atlântico foram os principais causadores de secas extremas na América do Sul, mas não explicam a severidade da falta de chuva em 2016 em uma porção substancial da Amazônia e do Nordeste. Isso sugere fortemente uma contribuição potencial de fatores não oceânicos (como mudanças na cobertura da terra e aquecimento por emissões de dióxido de carbono) para a seca de 2016”, deduz o estudo. Com o aumento do desflorestamento, “futuras secas podem se tornar mais severas e mais frequentes”, disse uma das autoras da pesquisa, Guiling Wang.
E aí você se pergunta: e eu com isso? Bom, a falta de chuva na Floresta Amazônica não prejudica somente a biodiversidade e as populações locais, também pode causar falta d’água em outras regiões do país. O desmatamento prejudica a rota dos chamados rios voadores, nuvens gigantes que levam a umidade para outras regiões do Brasil, incluindo as mais populosas, como o Sudeste. São Paulo pode ser chapa de São Pedro, mas deixar os povos indígenas cuidarem da floresta ainda é uma solução mais eficaz do que esperar por um acordo celestial. Contra a seca, a gente recomenda: demarcação, já!
Saiba mais:
Ação humana contribuiu para seca sem precedentes na Amazônia, diz estudo
Unprecedented drought over tropical South America in 2016: significantly under-predicted by tropical SST
dezembro 2017 | Alternativas Energéticas
Ninguém segura a nossa esquadrilha de fumaça. O solo é fértil, mas combustível é farto, fornecido por uma generosa legislação sobre o uso de agrotóxicos e fertilizantes. O nível máximo de contaminação da água permitido no Brasil é 5 mil vezes maior do que o da União Europeia; no caso do feijão nosso de cada dia, a lei brasileira permite o uso de quantidades 400 vezes maiores. E dos 504 pesticidas e herbicidas de uso liberado no país, 30% são proibidos por lá. De embrulhar o estômago.
É o que aponta o recém-lançado estudo comparativo “Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia”, da pesquisadora Larissa Mies Bombardi, da USP. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Brasil é o país que mais consome agrotóxicos no mundo, e mais de dois terços dos alimentos produzidos aqui são contaminados por esses agentes. Vão diariamente para nossos pratos diversos ingredientes ativos que já são proibidos em outras partes do mundo como EUA, China e Canadá, além da já citada União Europeia. Mas será que precisa disso tudo, mesmo?
As monoculturas, como a da soja, concentram 80% dos venenos agrícolas por aqui e são cada vez mais dependentes desses insumos. Somente entre 2000 e 2012, a venda de agrotóxicos no país cresceu 288%, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agropecuária (Sindag). Um negócio e tanto, o que explica o grande interesse de grandes empresas multinacionais em nossos campos e, também, em nossos políticos. Em meados deste mês de novembro, por exemplo, um grupo de parlamentares da chamada Bancada Ruralista visitou na Suíça instalações da multinacional Syngeta. A viagem, bancada pela Câmara de Comércio Suíço-Brasileira, aconteceu justamente depois da Anvisa proibir o uso e a comercialização do paraquate, agrotóxico proibido em mais de 40 países, incluindo toda a União Europeia e na própria Suíça, país onde é fabricado – mas que coincidência! – pela Syngeta.
Os efeitos do lobby são evidentes no Congresso Nacional, onde projetos de lei que liberalizam ainda mais o emprego de agrotóxicos no Brasil se multiplicam como erva daninha. O mais famoso deles, apelidado de Pacote do Veneno, contém diversos projetos apensados, alguns já aprovados no Senado. Entre os principais, o PL 6.299/2002, semeado pelo então senador e atual ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP-MT). Pouco a pouco, em “doses homeopáticas”, produtos vetados lá fora – como o benzoato de emamectina, que passou a ser permitido aqui recentemente – vem sendo liberados aqui.
Embora cinco mil vezes mais controlado, o uso de agrotóxicos também gera muita polêmica na União Europeia. A mais recente acontece por conta da renovação da permissão para uso do herbicida glifosato por mais cinco anos. Numa prática semelhante à empregada no século XX pela indústria do tabaco, por décadas, a indústria química vem fazendo um lobby pesado. Entre suas armas mais usadas estão pesquisas científicas encomendadas e divulgadas com o intuito de confrontar avaliações acadêmicas e inocentar seus produtos. O resultado desse verdadeiro bombardeio é que a opinião pública passou a refletir, no mínimo, uma grande desconfiança em relação a todas as pesquisas – oficiais ou independentes. Ou seja: alienar para conquistar.
Segundo pesquisa do Ibope, 81% dos brasileiros considera que a quantidade de agrotóxicos aplicada nas lavouras é “alta” ou “muito alta”. Mas como podemos nos defender desse ataque? De preferência, usando as armas recomendadas pela democracia. Nossa trincheira mais segura é o Projeto de Lei 6670/2016, que institui a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNaRA). Que tal fazer pressão para que seja aprovada? Um bom ponto de partida pode ser participando da campanha #ChegaDeAgrotóxicos. Assinando a petição, você também ajuda a barrar o Pacote do Veneno.
Assine a petição.
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agosto 2017 | Desmatamento
A esperança é verde. Em outro julgamento do Supremo Tribunal Federal na quarta-feira passada (16), ao menos tivemos um indício de que a natureza vai sair ganhando. A ministra Cármem Lúcia votou pela inconstitucionalidade do uso de Medidas Provisórias (MPs) para reduzir Unidades de Conservação (UCs). Ela é a relatora da ação.
Estava em julgamento a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4717, movida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra a MP 588/2012, ainda do governo de Dilma Rousseff. Esta MP diminui UCs em Amazonas, Mato Grosso, Pará e Rondônia, para permitir a construção de hidrelétricas e a regular ocupações de produtores rurais. Mais um fantasma do passado que volta a nos assombrar. Que seja exorcizado.
Via Instituto Socioambiental – ISA
Foto: Ana Cotta
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