Metano e seus impactos no Brasil

Metano e seus impactos no Brasil

outubro 2026

BRASIL – Após a consolidação do resultado das eleições presidenciais no Brasil, dados inéditos de uma ampla pesquisa internacional revelam um recado claro das urnas para a governabilidade: a pauta climática deixou de ser uma discussão partidária e tornou-se uma exigência prioritária de bem-estar social, saúde pública e segurança econômica para a população brasileira.

O estudo internacional foi conduzido pelo Programa de Yale sobre Comunicação sobre Mudanças Climáticas (YCCC) e pelo Global Methane Hub (GMH), em colaboração no Brasil com a Uma Gota no Oceano. O levantamento ouviu 12.189 adultos em 18 países nos quatro continentes, incluindo 700 entrevistados no Brasil.

Os dados confirmam que o Brasil lidera o nível de preocupação climática mundial: 72% dos adultos estão no grupo dos “alarmados” com o clima, refletindo a rotina de eventos extremos vividos no país, como enchentes, ondas de calor e secas. Quando testada a reação política, 72% do eleitorado aprova governantes que atuam na redução do metano — o poluente climático de vida curta considerado a forma mais rápida de conter o aquecimento global no curto prazo.

“Compreender o que as pessoas sabem e pensam é essencial para uma comunicação pública e para a formulação de políticas eficazes”, afirmou Dr. Anthony Leiserowitz, diretor do Programa de Comunicação sobre Mudanças Climáticas da Universidade Yale. “Reduzir as emissões de metano é uma das formas mais rápidas de limitar o aquecimento global, o que torna fundamental que a população compreenda tanto o desafio quanto as soluções. Esta pesquisa ajuda a fornecer os dados necessários para identificar lacunas no conhecimento público, fortalecer campanhas de comunicação e permitir que cidadãos bem informados participem da construção e do avanço de soluções para as mudanças climáticas.”

Apesar de 90% dos adultos brasileiros defenderem medidas contra a poluição por metano e 75% já conectarem o corte do gás ao combate ao aquecimento global, a pesquisa revela uma lacuna importante: a preocupação com o clima precisa ser traduzida em entendimento sobre as escolhas e responsabilidades cotidianas, como a separação do lixo doméstico e a sustentabilidade no campo.

“Os dados revelam uma população brasileira profundamente preocupada com a crise climática e aberta a soluções. No entanto, também expõem um desafio decisivo: apoiar a ação climática não significa necessariamente compreender as causas do problema, o papel do metano ou as escolhas capazes de mudar essa realidade. É justamente nessa lacuna entre preocupação e compreensão que a comunicação se torna estratégica”, afirmou Maria Paula Fernandes, diretora-geral da Uma Gota no Oceano. “Ao traduzir a ciência, conectá-la às experiências cotidianas das pessoas e esclarecer responsabilidades e caminhos para a ação, podemos transformar essa predisposição favorável em conscientização pública e participação cidadã, construindo a legitimidade necessária para ações mais ambiciosas, na velocidade que a crise climática exige.”

Pesquisa detalha percepção dos brasileiros sobre os três setores responsáveis pela maior parte das emissões de metano:

Agronegócio e proteção do produtor: Com 96% da população reconhecendo a importância vital da agropecuária para o país, 50% dos entrevistados defendem reduções de metano na pecuária acompanhadas do fortalecimento financeiro dos produtores rurais. Além disso, os grandes produtores agrícolas foram apontados em 1º lugar como o setor mais capaz de liderar mudanças climáticas reais.

Cidades e coleta seletiva (90% de Adesão): 88% apoiam cortes no setor de resíduos. 90% dos brasileiros são favoráveis à separação obrigatória do lixo doméstico em três categorias (orgânico, reciclável e não-reciclável), motivados principalmente pela redução da poluição urbana e melhoria da qualidade de vida. Mensagens focadas no bem-estar comunitário e na saúde local mostraram-se as mais críveis e convincentes para a população.

Energia e regulação: 91% apoiam mitigar emissões no setor de energia, e 59% defendem regulação governamental direta para impor limites de emissão

“Os brasileiros continuam demonstrando níveis de preocupação com as mudanças climáticas entre os mais altos do mundo e apoio quase unânime à ação climática”, afirmou Marcelo Mena, CEO do Global Methane Hub. “Durante sua presidência da COP30, o Brasil colocou o metano no centro da agenda climática global, e isso deve ser um dos legados duradouros de sua liderança. Reduzir as emissões de metano é uma das formas mais rápidas de desacelerar o aquecimento global, ao mesmo tempo que gera benefícios concretos para a saúde pública, a segurança alimentar e as comunidades. Esse forte apoio da população é fundamental para impulsionar políticas públicas nos setores da agropecuária, dos resíduos e da energia.”

Os resultados chegam em um momento em que o Brasil continua exercendo liderança global na agenda climática após sediar a COP30 em 2025. O país também assinou o Global Methane Pledge em 2021, comprometendo-se a contribuir para a redução de 30% das emissões de metano até 2030, em relação aos níveis de 2020.

O metano é um dos caminhos mais rápidos para reduzir a temperatura global, por ser um poluente de vida curta e mais de 80 vezes mais potente que o dióxido de carbono em um horizonte de 20 anos. Sua redução também traz benefícios para a saúde pública e para a economia. Como a maior parte das emissões brasileiras de metano vem da agropecuária, os resultados demonstram um forte desejo da população por ações concretas também neste setor essencial para a economia brasileira.

A pesquisa também revelou que:

  • Mudanças climáticas e calor extremo são as principais preocupações ambientais no Brasil, mencionadas por 94% dos adultos entrevistados.
  • Os brasileiros estão associando cada vez mais o metano às mudanças climáticas e à poluição: 75% afirmam que reduzir as emissões de metano é importante para conter as mudanças climáticas.
  • Quase três em cada cinco brasileiros (59%) apoiam fortemente a criação de regulações para limitar emissões de metano no país.
  • Metade dos entrevistados brasileiros (50%) defende a redução das emissões de metano da pecuária, desde que feita de forma que fortaleça produtores. Outros 31% defendem que essa redução deve ocorrer independente de impactar em mudanças no setor.
  • Os resultados refletem também os impactos crescentes das mudanças climáticas no Brasil. Em 2026, o país enfrentou diversos eventos climáticos extremos, incluindo enchentes severas, tornados, ondas de calor e secas que devastaram comunidades e provocaram deslocamentos populacionais.

Brasileiros apoiam a redução do metano nos principais setores da economia

O apoio a medidas contra a poluição por metano é massivo nos três setores econômicos responsáveis pela maior parte das emissões causadas por atividades humanas no país:

Agricultura: 88% apoiam a redução das emissões do setor agropecuário.

Resíduos: 88% apoiam a redução das emissões do setor de resíduos.

Energia: 91% apoiam a redução das emissões do setor energético.

Cobrança por responsabilidade e expectativa de ação

A pesquisa revela uma distinção clara na percepção dos brasileiros sobre quem causa o problema e quem pode resolvê-lo. Para os entrevistados, as grandes empresas de petróleo e gás e as companhias de gestão de resíduos têm maior responsabilidade pelos danos ambientais, ao lado dos governos locais e estaduais.

No entanto, quando questionados sobre quem tem maior capacidade de promover mudanças reais, os grandes produtores agrícolas figuram em 1º lugar, seguidos de perto pelas empresas de resíduos. O dado indica que a sociedade exige responsabilização do setor de combustíveis fósseis e do poder público, mas deposita no agronegócio e na gestão de lixo a maior expectativa de liderança prática.

Liderança ambiental e maior consciência na América Latina

Em comparação com demais países pesquisados, o Brasil apresenta o maior nível de apoio firme à ação climática e a maior familiaridade com o tema. Enquanto 46% dos brasileiros afirmam ser familiarizados com o metano (contra 31% no Uruguai e 21% no Paraguai), 75% reconhecem que cortar as emissões do gás é crucial para conter o aquecimento global, índice superior aos 59% registrados no Uruguai e 57% no Paraguai.

Os brasileiros também lideram a região na associação direta do metano aos gases de efeito estufa (59%) e à poluição do ar (45%), respaldando medidas de mitigação até mesmo em setores centrais para a economia nacional, como a agropecuária.

O apoio à redução do metano permanece forte em todo o mundo

A pesquisa foi realizada em 18 países distribuídos por quatro continentes: Brasil, China, Dinamarca, Etiópia, Alemanha, Grécia, Indonésia, Itália, Malásia, Marrocos, Nigéria, Paraguai, África do Sul, Coreia do Sul, Espanha, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Uruguai.

O levantamento online ouviu 12.189 adultos, incluindo 700 brasileiros, abordando temas como mudanças climáticas, preocupações ambientais, apoio a ações climáticas, conhecimento sobre emissões de metano e apoio a políticas específicas para sua redução.

Os resultados mostram uma ampla preocupação pública com as mudanças climáticas e um forte apoio a ações para enfrentar tanto a crise climática quanto a poluição por metano. Os entrevistados relatam crescente preocupação com os efeitos concretos da crise climática em suas comunidades, incluindo calor extremo, incêndios florestais, secas, enchentes e problemas relacionados à qualidade da água.

Em todos os países pesquisados, 85% dos entrevistados apoiam a adoção de medidas para reduzir a poluição por metano, demonstrando que mais de oito em cada dez pessoas querem ações concretas nessa área.

A pesquisa também mostrou que, quanto mais uma pessoa percebe os impactos das mudanças climáticas em sua vida, maior tende a ser seu apoio à redução das emissões de metano.

Por que reduzir o metano é como puxar o freio de emergência climática

Reduzir a poluição por metano é a forma mais rápida de desacelerar o aquecimento global no curto prazo. O metano é responsável por cerca de 30% do aquecimento global observado desde a era pré-industrial e é mais de 80 vezes mais potente que o dióxido de carbono em um horizonte de 20 anos.

Ao contrário do CO₂, que pode permanecer na atmosfera por séculos, a maior parte do metano se decompõe em aproximadamente uma década. A redução de 45% das emissões de metano de origem humana nesta década poderia evitar quase 0,3°C de aquecimento até 2045, ajudando a manter ao alcance as metas climáticas internacionais.

Além de reduzir o aquecimento global, a mitigação do metano melhora a qualidade do ar, protege plantações, gera empregos, fortalece sistemas alimentares, reduz riscos à saúde e aumenta a resiliência das comunidades.

Como a poluição por metano ultrapassa fronteiras, nenhum país pode resolver o problema sozinho. Ações coordenadas entre governos, empresas, pesquisadores e comunidades são essenciais para reduzir rapidamente as emissões e garantir um futuro mais saudável e seguro.

“A consistência desses resultados envia um sinal claro: o apoio à redução das emissões de metano é forte e duradouro”, afirmou Melissa Bell, Vice-Presidente Sênior de Pesquisa da Global Strategy Group, parceira do Global Methane Hub na realização do estudo. “As pessoas estão preocupadas com os impactos das mudanças climáticas, apoiam ações nos principais setores emissores e esperam que aqueles com maior capacidade de promover mudanças assumam sua responsabilidade.”

Metodologia

A Global Strategy Group realizou uma pesquisa online de aproximadamente 10 minutos entre 3 e 25 de agosto de 2026, traduzida para 13 idiomas e aplicada em 18 países da Europa, América do Sul, África e Ásia.

Foram entrevistadas pessoas com 18 anos ou mais, residentes nos respectivos países e com acesso à internet. Os resultados foram ponderados por idade, gênero, localização geográfica e educação para garantir representatividade da população conectada.

No Brasil, foram coletadas pelo menos 700 respostas. A margem de erro para o Brasil foi de ±3,6 pontos percentuais. Nos demais países com amostras menores, as margens de erro variaram entre ±3,9% e ±4,9%.

Sobre o Global Methane Hub

O Global Methane Hub reúne governos, líderes empresariais, cientistas e organizações da sociedade civil de todo o mundo para reduzir a poluição por metano por meio de tecnologias e políticas públicas eficazes. A organização já mobilizou mais de US$ 500 milhões em recursos provenientes de mais de 20 das maiores filantropias climáticas do mundo para acelerar a mitigação do metano globalmente.

Sobre a Uma Gota no Oceano

A Uma Gota no Oceano (Gota) é uma organização brasileira de comunicação estratégica dedicada a transformar conhecimento em participação e capacidade de incidência pública. Há mais de 15 anos, conecta ciência, políticas públicas e sociedade para ampliar o acesso à informação qualificada e fortalecer a construção de soluções para desafios globais como a mudança do clima, a perda de biodiversidade e a justiça socioambiental.

Liderada por mulheres e com atuação junto a organizações da sociedade civil, lideranças indígenas e quilombolas, pesquisadores e comunicadores, a Gota desenvolve iniciativas de comunicação, mobilização e fortalecimento institucional que ampliam perspectivas diversas nos espaços de debate e tomada de decisão. Organização observadora das Convenções das Nações Unidas sobre Clima (UNFCCC) e Biodiversidade (CBD), atua do nível local aos processos multilaterais globais, contribuindo para aproximar as decisões que moldam o futuro das pessoas e comunidades que vivem seus impactos no presente.

Programa de Yale sobre comunicação e mudanças climáticas (YCCC): Sediado na Escola do Meio Ambiente da Universidade de Yale, desenvolve pesquisas científicas sobre o conhecimento, atitudes e comportamentos públicos em relação ao clima.

Para acessar a pesquisa internacional acesse: https://www.globalmethanehub.org/wp-content/uploads/2026/10/Global-Methane-Hub-International-Poll-Wave-3.pdf

Para entrevistas e mais informações, entre em contato:

Danila de Jesus
Jornalista

📞 +55 (71) 99103-4578
📧 imprensa@gota.ong

 

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