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Veneno a jato

Veneno a jato

O agro é supersônico: piscou, tem agrotóxico novo no prato. No ano passado, o Ministério da Agricultura liberou 474 novos produtos, o maior número dos últimos 14 anos. E este ano começou pisando fundo no acelerador: logo no segundo dia de março, foram mais 16. Só esperaram acabar o Carnaval. Vem novo recorde por aí? Tudo indica que sim, pois a ministra Tereza Cristina não ganhou o título de “musa do veneno” à toa. Sua atuação na presidência da comissão especial que examinou o Projeto de Lei 6299/02, que flexibiliza as regras de utilização de agrotóxicos no país, foi fundamental para a sua aprovação. Conhecido como PL do Veneno, ele ainda aguarda aprovação em plenário. Mas a verdade é que já se tornou obsoleto. No atual governo, essa flexibilização acontece por outras rotas. E sua velocidade não é de cruzeiro.

No dia 27 de fevereiro, o ministério publicou uma portaria que determina a aprovação automática de agrotóxicos pela Secretaria de Defesa Agropecuária, caso a avaliação do produto não seja feita em até 60 dias. Ou seja, criou-se mais um atalho para a liberação. Mesmo que a substância também precise passar por análises dos ministérios do Meio Ambiente e da Saúde, há quem veja uma tabelinha entre as três pastas: “Está dentro desse padrão em que há uma clara sinalização da ascendência do Ministério da Agricultura sobre a Saúde e o Meio Ambiente. São vários movimentos para acelerar essa liberação. Um ministério que não ampliou sua capacidade de análise, o número de analistas, os laboratórios, como poderia reduzir o prazo das análises? Que análises seriam essas que podem admitir dispensa?”, questiona o engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo, da Associação Brasileira de Agroecologia para a Região Sul.

Essa aprovação a toque de caixa se torna ainda mais preocupante depois que a Anvisa alterou a tabela de classificação de toxidade dessas substâncias em julho do ano passado. Este novo marco legal passou a considerar, entre outras alterações, somente o risco de morte para a classificação. Com isso, produtos que eram considerados “extremamente tóxicos” hoje podem hoje ser avaliados como moderadamente ou pouco tóxicos. Entre estes, há produtos que causam alterações genéticas e que podem causar câncer. O Brasil permite o uso de dezenas de produtos proibidos na União Europeia, Estados Unidos, Índia, Austrália, Canadá e até na vizinha Argentina.

A alegação para tanta pressa e tolerância é que o excesso de burocracia estava atrapalhando os negócios. Já demos esta sugestão, mas não custa repetir: proibir automaticamente produtos já proibidos em outros países – principalmente os que importam nossos produtos agrícolas – já nos pouparia tempo e dinheiro. Também cabe aqui um exercício de imaginação: será que o Ministério da Agricultura agiria com a mesma agilidade caso a demarcação de terras indígenas ficasse sob a sua responsabilidade, como queria o presidente?

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Veneno na mesa dos outros é refresco

Veneno na mesa dos outros é refresco

Veneno na mesa dos outros é refresco. Banidos de outros países, os agrotóxicos são consumidos por boa parte da população brasileira. Em 2017, 60 mil toneladas de itens como paraquate, atrazina e acefato foram lançados nas plantações do país. A Europa concentra as sedes das principais empresas do segmento de pesticidas, mas o uso de vários desses produtos, que comprovadamente causam mal à saúde, são proibidos por lá.

Um estudo da USP mostra que as companhias do Velho Mundo exportam essas substâncias para mercados mais condescendentes, como o Brasil. Como contraponto, o Projeto de Lei (PL) 6.670/2016, denominado Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNaRA), deve ser votado em 2019 no Congresso Nacional.

Via Agência Pública

Foto: Stock/Getty Images

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PNaRA contra o PL do Veneno

PNaRA contra o PL do Veneno

Empatamos o jogo nos acréscimos: a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNaRa) foi aprovada no dia 4/11, em uma Comissão Especial da Câmara. Com o anúncio da deputada Tereza Cristina, defensora do PL do Veneno, para o Ministério da Agricultura, esta é uma chance de a gente virar o jogo e garantir uma alimentação mais saudável no futuro.

O PNaRa é um Projeto de Lei de iniciativa popular que tem como finalidade implantar medidas que ajudem a reduzir gradualmente o uso de agrotóxicos no Brasil. Caso não fosse votado este ano na comissão, tão cedo não colheríamos seus frutos. Agora é fazer pressão popular para levar o projeto à votação em Plenário.

Via Greenpeace Brasil

Foto: DINO

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O campo à mercê da intoxicação aguda por agrotóxicos

O campo à mercê da intoxicação aguda por agrotóxicos

O veneno bate à porta. A Human Rights Watch divulgou hoje (20/7) um estudo que registra casos de intoxicação aguda por agrotóxicos em sete comunidades rurais, entre elas quilombolas e indígenas, de sete estados do Brasil.

Para a pesquisa, 73 pessoas foram entrevistadas. Entre os sintomas relatados estão vômito, diarreia, dormência, irritação nos olhos, dor de cabeça e tontura.

Moradores de cinco das sete localidades também dizem que chegaram a ser ameaçados de morte, caso denunciassem os casos. Há escolas que foram atingidas por agrotóxicos pulverizados por aviões. Em nome de que jogam veneno sobre nossas crianças?

Via G1

Foto: Marizilda Cruppe/Human Rights Watch

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Um tomatinho contra o PL do Veneno

Um tomatinho contra o PL do Veneno

Esse tomatinho aí pode ser um santo remédio contra o PL do Veneno. Desenvolvido pela Embrapa, a variedade batizada como BRS Zamir, é enriquecida com licopeno. Isso faz dela mais nutritiva e resistente a pragas.

Além de reduzir a necessidade do uso de agrotóxicos, o novo tomate foi desenvolvido a partir de técnicas de cruzamento convencionais. Ou seja, também não é transgênico. Não precisamos botar mais veneno na comida para alimentar o mundo.

Via O Globo

Foto de divulgação

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