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#TamuAtéAki

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Liberdade é ter autonomia para dizer sim ou não. Os Munduruku deram o exemplo máximo dessa autonomia em 2016, quando o governo federal anunciou a intenção de construir a hidrelétrica São Luiz, no rio Tapajós. A represa faria o rio engolir a Terra Indígena Sawré Muybu, no Pará, mas os Munduruku exerceram a liberdade de dizer “não”. Para isso, criaram um protocolo de consulta, de forma que todos pudessem se informar devidamente sobre o projeto e dar a palavra final em sua própria língua. Como resultado, o Ibama e o Ministério Público Federal derrubaram a licença da obra e a construção foi cancelada. Foi uma vitória histórica para os povos indígenas, motivando muitos a exigirem que suas vozes também fossem respeitadas. Hoje o Ministério Público lista 16 protocolos do tipo, e há outras dezenas em construção. 

Este ano os Munduruku se somaram a outros 44 povos indígenas, em janeiro, para assinar o Manifesto do Piaraçu, onde juntos voltaram a defender sua autonomia: “exigimos que seja respeitado nosso direito à consulta livre, prévia e informada toda vez que sejam previstos projetos e decisões que possam nos impactar e ameaçar nossos territórios e modos de vida”. 

No entanto, vinte dias depois da assinatura do Manifesto do Piaraçu, no dia 6 de fevereiro, o governo federal apresentou à Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 191. O texto prevê que a construção de hidrelétricas, a exploração de minério, a extração de petróleo e gás e o garimpo em terras indígenas podem seguir para aprovação mesmo “com manifestação contrária das comunidades indígenas afetadas”. 

Em outras palavras, se esse texto estivesse em vigor em 2016 a Terra Indígena Sawré Muybu estaria submersa. 

Em nome de que se tira a autonomia de um povo? 

O PL 191 tira a palavra final dos indígenas e passa para o Congresso Nacional. O Congresso é composto por 81 senadores e 513 deputados federais. São 594 pessoas. Apenas uma é indígena. A bancada ruralista tem 257 membros. Mais discreta, a bancada da lama – composta por deputados eleitos com apoio financeiro de mineradoras – tem 13 representantes. 

“As leis existem para serem cumpridas, e não modificadas para atender aos interesses de alguns”, é o que afirmávamos em nosso vídeo-manifesto de 2014 e continuamos a dizer hoje. Esse é o tom da nota divulgada pela câmara temática de populações indígenas e comunidades tradicionais do Ministério Público Federal: “Interesses econômicos sobre as terras públicas e seus recursos que constituem patrimônio da União, no caso das Terras Indígenas com usufruto exclusivo dos povos indígenas, devem observar o estrito limite da lei. 

Em nome de que se abre mão da floresta? Quanto custa a vida de cada animal que nela habita, de cada árvore que ali filtra o ar que respiramos? Qual o preço da liberdade? A resposta está no Manifesto Piaraçu: “o dinheiro não paga por elas”. Durante o Encontro Mebengokrê, o cacique Raoni foi enfático: “Se vierem com dinheiro para minerar minha terra, eu não vou aceitar. Se vierem com dinheiro para explorar madeira, eu não vou aceitar”Eis os valores de indenização que o governo pretende pagar pela devastação, segundo o PL 191: 0,7% da energia produzida por hidrelétricas a serem construídas em Terras Indígenas e de 0,5% a 1% da futura produção de petróleo ou gás natural. 

Em nome de que se troca autonomia por indenização? 

A Consulta Prévia é um compromisso firmado pelo Estado brasileiro por decreto, assinado em 2004, um texto que vai direto ao ponto: “Os povos interessados deverão ter o direito de escolher suas próprias prioridades no que diz respeito ao processo de desenvolvimento”. Da mesma forma, a Constituição é clara: O aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os potenciais energéticos, a pesquisa e a lavra das riquezas minerais em terras indígenas só podem ser efetivados com autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-lhes assegurada participação nos resultados da lavra, na forma da lei”Se acharmos natural atropelar direitos garantidos na Constituição, abrimos um precedente que vai na contramão do nosso espírito democrático. 

Nossas escolhas definem nosso futuro. 

#EmNomeDeQuê #UmaGotaNoOceano #NãoÉNão #Tamuatéaki 

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Tragédia interestadual

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A lama despejada pela Vale/Samarco no criminoso desastre de Mariana (MG) continua a avançar e já cruzou as fronteiras marinhas do Espírito Santo tanto para o norte, quanto para o sul.
É o que atestam acadêmicos de Portugal e da Universidade Federal do Espírito Santo, em um artigo publicado no Boletim de Poluição Marinha.
Principal impulsor da lama tóxica, o vento a empurrou da foz do Rio Doce para zonas marinhas adjacentes à cidade do Rio de Janeiro.
Os dejetos de mineração, no entanto, ainda não alcançaram o Arquipélago de Abrolhos, na Bahia, o que é um temor antigo.
Via Século Diário
Foto: Gabriela Biló/Estadão
Saiba mais: https://seculodiario.com.br/30273/10/artigo-cientifico-confirma-extensao-da-lama-da-samarcovalebhp-desde-abrolhos

O incrível lago que encolheu

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O Mar de Aral, no Cazaquistão, já foi um dos maiores lagos do mundo. Não à toa, era chamado de mar; daqui a pouco, vai ser conhecido como poça.

A ação do ser humano não só o condenou, como está fazendo desaparecer outras paisagens, como o Lago Powell (EUA) e a Floresta de Mabira (Uganda). A Amazônia segue seriamente ameaçada, e as geleiras Pederson, Carroll, Oso e McCarthy estão simplesmente sublimando.

Veja o antes e depois destes e de outros lugares: https://incrivel.club/notag/a-terra-antes-e-depois-fotos-da-nasa-que-vao-te-deixar-de-queixo-caido-9155/#image882555

Via Incrível

Foto: Wikipedia

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