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Planeta Plástico

30 de janeiro de 2018

O planeta está indo pro saco – e nós junto com ele. O plástico está por todos os lados, inclusive na água que bebemos. Um milhão por minuto: atualmente, consumimos garrafas de plástico nesta incrível velocidade. Só a Coca-Cola contribui com 3.400 por segundo. Calcula-se que desde os anos 1950 já foram produzidos 8,3 bilhões de toneladas de plástico. Deste total, somente 9% foi reciclado e 12%, incinerado. O resto está por aí, e pode levar até 600 anos para desaparecer. Mas pra onde ele foi? No meio do Oceano Pacífico tem uma pista: uma ilha de lixo do tamanho da França.

Mais de 95% do lixo encontrado nas praias brasileiras é plástico. Só no litoral norte paulista, e apenas em 2016, quase mil tartarugas marinhas foram encontradas mortas por ingestão do material. O plástico tem causado doenças nos corais e quando vai parar no estômago do peixe, acaba chegando indiretamente ao nosso. Não tem para onde correr, o problema é incontornável. No Quênia, virou caso de polícia: o governo local aprovou uma lei que prevê mais de quatro anos de prisão ou o pagamento de uma multa de até R$ 120 mil para quem fabricar, vender ou usar sacolas plásticas. Que tal botar a cachola para funcionar para evitar medidas tão drásticas?

A China pôs meio mundo em polvorosa ao anunciar que não vai mais importar lixo plástico para reciclagem. Segundo o ONU, os chineses compraram 7,3 milhões de toneladas em 2016. O material veio principalmente de países ricos, como Japão e Estados Unidos, e equivale a 70% de todo o plástico descartado naquele ano. A Comissão Europeia apresentou este mês um projeto que prevê que todas as suas embalagens plásticas sejam recicláveis até 2030. A Europa produz por ano 25 milhões de toneladas de plástico e menos de 30% são recicladas. Costa Rica, Marrocos, Chile e os estados americanos do Havaí e da Califórnia também pretendem banir definitivamente o material de seus territórios nos próximos anos. As gigantes Unilever e Coca-Cola também anunciaram medidas de redução de danos.

Mas é preciso pensar em alternativas. Aqui mesmo no Brasil duas estudantes tiverem ideias sustentáveis para substituir o isopor nas bandejas de alimentos dos supermercados: a paranaense Sayuri Magnabosco criou embalagens feitas à base de bagaço de cana-de-açúcar, enquanto a mato-grossense Kemilly Barros preferiu usar o talo do buriti. E já existem sacolas feitas à base de mandioca que não só são biodegradáveis como também, comestíveis. Difícil vai ser ganhar a queda-de-braço com a indústria petrolífera, que não produz somente combustível, mas, também, plástico. Começar em casa, adotando medidas de consumo mais racionais e evitando o desperdício é um bom começo. Botar a boca no trombone e pedir providência a governos e empresas, idem. Afinal, cada gota conta.

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