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Gota na Amazônia: infraestrutura é a floresta em pé

20 de julho de 2022

A ONG Uma Gota no Oceano – representada pela diretora-fundadora Maria Paula Fernandes e a correspondente da Amazônia, Emily Costa – participou do encontro do GT Infraestrutura e Justiça Ambiental realizado em Alter do Chão, de 4 a 6 de julho, no Pará. O evento contou com a presença de integrantes de mais de 50 organizações socioambientais, movimentos sociais, lideranças indígenas, quilombolas e extrativistas além de pesquisadores atuantes dentro e fora do País. 

As discussões tiveram o objetivo de avaliar, traçar estratégias e ações frente aos desafios socioeconômicos da Amazônia, que demandam um olhar articulado e feito de dentro para fora – ao contrário do que tem sido construído até aqui, com um modelo de exploração predatória de megaprojetos e políticas públicas desenhadas e executadas ao inverso, conforme os interesses de grupos econômicos específicos, e deixando a Amazônia e seus 29,6 milhões de habitantes à margem da construção de sua própria história.

 “Somos contra projetos que nos matam, matam nossos rios e nossa floresta. Esses grandes projetos não são infraestrutura para nós, precisamos de pequenos projetos, que nos fortaleçam (…) A principal infraestrutura da Amazônia é a floresta em pé”, disse Maura Arapiuns, do Conselho Indígena Tapajós Arapiuns, em uma das falas mais marcantes do encontro.

Durante o evento, Ricardo Abramovay, professor Sênior do Programa de Ciência Ambiental do IEE/USP, lançou o livro “Infraestrutura para o desenvolvimento sustentável da Amazônia”, que se debruça sobre a busca de alternativas que cuidem da floresta, das suas cadeias de valor e melhorem a vida pessoas que nela vivem, repensando o uso de materiais que até aqui marcaram a ideia de “desenvolvimento”: cimento, aço, plástico e amônia. Abramovay propõe quatro dimensões necessárias para repensar o assunto: natureza, cuidado, serviços e organização coletiva. “A economia do conhecimento da natureza é uma urgência para o Brasil”, ressaltou o professor durante o GT.

Ao fim do encontro, foi lançada a Carta de Alter (disponível aqui – LINKAR no site) com recomendações para a participação da sociedade no debate eleitoral deste ano e 16 propostas de infraestrutura consideradas prioritárias para a construção de um novo Brasil e de uma Amazônia a partir de 2023. 

“O Brasil pode ajudar o planeta a mitigar os efeitos da crise climática. No quesito infraestrutura, para tanto precisamos de infraestrutura PARA a Amazônia e não apenas NA Amazônia. Devemos considerar fundamentalmente o respeito e a promoção de arranjos socioprodutivos capazes de conviver com a floresta e garantir o acesso a direitos básicos como saúde, educação, energia e saneamento”, diz trecho da carta.

São frentes prioritárias do GT: indústria, transporte, energia e descarbonização. Até o encontro de Alter, 40 organizações socioambientais (lista abaixo) já faziam parte do grupo como membros, parceiros e apoiadores, que passou a ter novos 14 integrantes que aderiram durante o evento.

Organizações presentes:


Associação Alternativa Terra Azul, Clima Info, Conectas Direitos Humanos, Conservation Strategy Fund, Ecoa, Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental, Fundo Casa, Greenpeace, Iema – Instituto de Energia e Meio Ambiente, ICV – Instituto Centro e Vida, Instituto Escolhas, International Rivers, Charles Stewart Mott Foundation, Movimento Tapajós Vivo, Saúde e Alegria, Uma Gota no Oceano, WWF, Transparência Internacional, Climate and Land Use Alliance
Moore, Mapbiomas, Ecociência, Forest, Ibase, Opan – Operação Amazônia Nativa
ISA – Instituto Socioambiental, Imazon, Idec – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, Ecam, Iiscal, ISPN – Instituto Sociedade e População Natureza, Idesam, Escola de Ativismo, Dar – Derecho, Ambinente y Recursos Naturales, Amazon Watch, Instituto Clima e Sociedade, Energia para a Vida, Observatório do Clima, Fundación Avina, O Mundo que Queremos, Inesc, Ninfa – Núcleo de Estudos em Infraestrutura, Ambiente e Sustentabilidade, Ipam – Amazônia, CNS – Conselho Nacional das Populações Extrativistas, The Nature Conservancy, Fundação Vitória Amazônica.