A campanha “Movimento Gota D’Água” nasce a partir da necessidade de se discutir o planejamento energético do país, tendo como ponto de partida a construção da Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu.
A ideia da construção de uma hidrelétrica no meio do estado do Pará não é nova — os primeiros esboços do plano surgiram ainda durante a década de 70, durante a ditadura militar. As coisas, contudo, só começaram a sair do papel de fato a partir dos anos 2000. Em 2005, o Governo Federal retomou os estudos do projeto e, mais recentemente, em 2010, houve o leilão de concessão para as obras.

Imagem do Rio Xingu, no Pará (Cícero Pedrosa Neto/Amazônia Real)
Esse processo de licenciamento ambiental, no entanto, acontece rapidamente e traz consigo dúvidas e questionamentos. Os apoiadores da construção afirmam que a usina, que tem a promessa de ser a maior geradora nacional de energia, favoreceria o crescimento econômico brasileiro — o que justificaria a “pressa” para o início da construção. Ambientalistas e pesquisadores, no entanto, apontam as possíveis irregularidades da empreitada, que poderia afetar a vida e o ecossistema da região do rio Xingu. No meio disso, há ainda as populações e comunidades indígenas e ribeirinhas, que teriam suas rotinas diretamente afetadas pelo projeto e que não foram consultadas sobre o assunto.
É no meio desse mar de incertezas que uma gota emerge. O “Movimento Gota D’Água“, surge e, em menos de um mês, há a publicação de uma campanha audiovisual, dirigida pelo cineasta Marcos Prado, para levar o assunto ao debate público e alavancar a petição contrária à construção da hidrelétrica. Em poucos dias, o vídeo, publicado de forma independente nas redes sociais, alcançou mais de 6 milhões de visualizações e fez com que, em apenas uma semana, a petição angariasse mais de um milhão de assinaturas. Além disso, a gravação também foi espontaneamente legendada em cinco idiomas e alcançou 22 países.
Campanha audiovisual “É a Gota D’água + 10” legendada em inglês
Em pouco tempo, a mobilização respingou em diversos setores sociais e, politicamente, provocou a reação da Ministra de Planejamento Míriam Belchior e do Ministro de Minas e Energia Edison Lobão. Além disso, fez com que o tema repercutisse no noticiário, com ponderações sobre o destino energético e ambiental do Brasil, e também com críticas pelo uso da linguagem simples, leve e irreverente. O que os críticos não entenderam é que essa foi uma escolha consciente: simplificar o entendimento de um tema tão complexo e pesado. Foi assim que se envolveu um número tão grande de pessoas nessa onda, que virou Uma gota no oceano.
Confira, na íntegra, o nosso vídeo no Youtube com a linha do tempo do Movimento Gota D’água
Confira também na íntegra, o nosso vídeo no Youtube com a versão completa da campanha audiovisual “É a Gota D’água + 10”