Uma onda de conscientização

novembro 2011

Atualizado em 03 de agosto de 2026

A campanha “Movimento Gota D’Água” nasceu a partir da necessidade de se discutir o planejamento energético do país, tendo como ponto de partida a construção da Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu – projeto discutido em 2011 e que, atualmente, em 2026, já completou dez anos de funcionamento e concretizou alguns dos prognósticos negativos apontados na época.

A ideia da construção de uma hidrelétrica no meio do estado do Pará, contudo, não surgiu naquele ano de 2011 — os primeiros esboços do plano apareceram ainda na década de 1970, durante a ditadura militar. As coisas, entretanto, só começaram a sair do papel de fato a partir dos anos 2000. Em 2005, o Governo Federal retomou os estudos do projeto e, em 2010, houve o leilão de concessão para as obras.

Imagem do Rio Xingu, no Pará - onde se pretende construir a Hidrelétrica de Belo Monte

Imagem do Rio Xingu, no Pará (Cícero Pedrosa Neto/Amazônia Real)

Esse processo de licenciamento ambiental, no entanto, aconteceu rapidamente e trouxe consigo dúvidas e questionamentos. Os apoiadores da construção afirmavam que a usina, que, na época, tinha a promessa de ser a maior geradora nacional de energia, favoreceria o crescimento econômico brasileiro — o que justificaria a “pressa” para o início da construção. Ambientalistas e pesquisadores, no entanto, já identificavam as possíveis irregularidades da empreitada, que poderiam afetar a vida e o ecossistema da região do rio Xingu. No meio disso, ainda havia as populações e comunidades indígenas e ribeirinhas, que tiveram suas rotinas diretamente afetadas pelo projeto e que não foram consultadas sobre o assunto.

Foi no meio desse mar de incertezas que uma gota emergiu. O “Movimento Gota D’Água“, surge em outubro de 2011, em menos de um mês, há a publicação de uma campanha audiovisual, dirigida pelo cineasta Marcos Prado, para levar o assunto ao debate público e alavancar a petição contrária à construção da hidrelétrica. Em poucos dias, o vídeo, publicado de forma independente nas redes sociais, alcançou mais de 6 milhões de visualizações nas redes e fez com que, em apenas uma semana, a petição angariasse mais de um milhão de assinaturas. Além disso, a gravação também foi espontaneamente legendada em cinco idiomas e alcançou 22 países.

Campanha audiovisual “É a Gota D’água + 10” legendada em inglês

Em pouco tempo, a mobilização respingou em diversos setores sociais e, politicamente, provocou a reação da Ministra de Planejamento Míriam Belchior e do Ministro de Minas e Energia Edison Lobão. Além disso, fez com que o tema repercutisse no noticiário, com ponderações sobre o destino energético e ambiental do Brasil, e também com críticas pelo uso da linguagem simples, leve e irreverente. O que os críticos não entenderam é que essa foi uma escolha consciente: simplificar o entendimento de um tema tão complexo e pesado. Foi assim que se envolveu um número tão grande de pessoas nessa onda, que virou Uma gota no oceano.

Confira, na íntegra, o nosso vídeo no Youtube com a linha do tempo do Movimento Gota D’água

 

Confira também na íntegra, o nosso vídeo no Youtube com a versão completa da campanha audiovisual “É a Gota D’água + 10”

 

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