INFORME 1
COP31 começa sob pressão climática e crise do multilateralismo
De Belém a Antália, Gota acompanha os caminhos da implementação com foco em metano, resíduos e comunicação
A menos de 30 dias da COP31, a Uma Gota no Oceano (Gota) inicia sua atuação em Antália, na Turquia, em parceria com o Global Methane Hub (GMH) e a Equal Routes, acompanhando debates sobre redução das emissões de metano, gestão de resíduos e comunicação climática.
Ao mesmo tempo, a organização mantém seu apoio histórico às delegações indígenas e quilombolas e sua atuação em redes como o Observatório do Clima e a Mobilização Nacional Indígena, reafirmando seu compromisso de conectar diferentes agendas, territórios e soluções para enfrentar a emergência climática.
A COP31 marca a transferência da presidência da conferência do Brasil para a Turquia. Após a COP30, em Belém, que colocou a implementação no centro da agenda climática global, Antália será chamada a responder uma questão decisiva: como transformar compromissos em resultados concretos em um cenário cada vez mais adverso?
A conferência acontece em um momento particularmente desafiador. O mundo ainda enfrenta os impactos de um intenso episódio de El Niño, que agravou eventos extremos em diferentes regiões do planeta, enquanto o multilateralismo vive uma fase de crescente fragilidade. Ao mesmo tempo, forças políticas críticas ou contrárias à agenda climática ampliam sua influência em diversos países e espaços estratégicos de tomada de decisão.
Mais do que negociar novos compromissos, a COP31 será um teste para a capacidade global de implementar soluções.
A Gota acompanhará esse processo ao lado da Presidência brasileira da COP30, observando os desdobramentos dos mapas do caminho lançados em Belém e os desafios para acelerar a implementação das soluções discutidas na conferência.
A agenda se amplia, mas o compromisso permanece: conectar soluções, territórios e vozes para enfrentar a emergência climática.
Metano e resíduos: soluções para esta década
Entre os temas centrais da COP31, metano e resíduos se destacam por oferecer algumas das respostas mais rápidas e disponíveis para reduzir o aquecimento global ainda nesta década.
A redução das emissões de metano é considerada uma das medidas mais eficazes para desacelerar o aumento da temperatura do planeta no curto prazo. As oportunidades atravessam setores como agropecuária, energia e resíduos, nos quais políticas públicas, inovação e financiamento já permitem resultados concretos.
A gestão de resíduos ocupa posição estratégica nesse debate. Compostagem, reciclagem, recuperação de materiais, redução do desperdício de alimentos e aproveitamento do biogás combinam benefícios climáticos, ambientais, sociais e econômicos.
Não por acaso, a agenda de Resíduos Zero figura entre as prioridades da COP31. Para a Gota, olhar para os resíduos é também olhar para uma solução climática ao alcance das cidades e presente na vida cotidiana.
Se o metano é o freio de emergência climática, enfrentar as emissões dos resíduos é uma das formas mais rápidas de acioná-lo.
Comunicação: a infraestrutura invisível da implementação
Se Belém colocou a implementação no centro da agenda climática, Antália deverá enfrentar uma questão complementar: como implementar políticas climáticas em um contexto de desinformação, polarização e crescente contestação das soluções propostas?
Financiamento, tecnologia e políticas públicas são indispensáveis para a ação climática. Mas nenhum desses instrumentos avança sem informação qualificada, confiança e apoio social.
É nesse contexto que a Gota realizará o painel oficial:
Climate Policy Backlash and Disinformation: The Battle of Narratives and Who Shapes Them
O encontro discutirá como a desinformação, a polarização e a disputa de narrativas podem acelerar ou bloquear a implementação de políticas climáticas.
Ao reunir experiências de diferentes países, o painel parte de uma premissa simples:
Comunicar não é apenas divulgar a ação climática. É criar as condições para que ela aconteça.
Conectando agendas, narrativas e soluções
Ao completar 15 anos de atuação, a Gota reafirma sua missão de irrigar informação consistente, independente e envolvente.
Criada em 2011, a organização atua na conexão entre especialistas, lideranças, jornalistas, organizações da sociedade civil e tomadores de decisão, ampliando a visibilidade de soluções socioambientais e fortalecendo o debate público.
Porque uma solução só ganha escala quando é conhecida, compreendida e incorporada pela sociedade.
Uma trajetória construída nas COPs
A presença em Antália dá continuidade a uma trajetória iniciada na COP21, em Paris, em 2015, conferência que resultou na adoção do Acordo de Paris.
Como organização observadora da ONU para clima e biodiversidade, a Gota acompanha os principais fóruns multilaterais ambientais e atua na conexão entre conhecimento, comunicação e implementação.
Ao longo dessa trajetória, apoiou a participação de delegações indígenas e quilombolas, ampliou a visibilidade de suas pautas na imprensa nacional e internacional e contribuiu para aproximar lideranças dos espaços globais de decisão.
Na COP31, a Gota amplia suas parcerias e frentes de atuação sem abrir mão de seu compromisso histórico com a justiça climática, os direitos territoriais e o fortalecimento das vozes indígenas e quilombolas.
Agregar agendas, não substituir compromissos. Conectar vozes, sem deixar ninguém para trás.
Contato para imprensa
Danila de Jesus
Jornalista
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