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O sagrado vínculo entre as águas e os povos tradicionais

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Sagrado. É assim que os povos tradicionais veem os rios. Os rios que alimentam também purificam e renovam. Mas para isso, eles precisam ser livres. No entanto, nossas águas são castigadas por agrotóxicos, fertilizantes, pelos esgotos sem tratamento e pelos metais despejados por grandes empresas, refinarias e garimpeiros ilegais. Passamos do mês da água para o mês dos indígenas, que sempre se dedicaram a cuidar dos nossos recursos naturais e que hoje lutam por seus direitos e buscam um diálogo maior com o governo federal. 

Durante o Fórum Mundial da Água, realizado em março, em Brasília, o IBGE divulgou um estudo sobre a importância dela para o PIB. Segundo a análise, o Brasil consumiu o equivalente a 35,4 bilhões de caixas d’água (de 1 mil litros cada) para produzir o PIB do ano de 2015. Esse montante diz respeito a toda a água consumida por famílias, governo e empresas naquele ano para gerar os R$ 5,9 trilhões correspondentes ao PIB em valores correntes. Isso significa que, na média geral, para cada mil litros (m³) de água que consome, a economia brasileira gera R$ 169. Essa relação funciona como um indicador de eficiência hídrica, onde é mais eficiente quem consome menos água para gerar mais riqueza. O setor de eletricidade e gás foi o mais eficiente, gerando R$ 846 para cada m³ consumido. Já a agropecuária foi apontada como o setor menos eficiente no uso do recurso, gerando R$11 a cada mil litros consumidos.

Os setores econômicos captam água diretamente do meio ambiente para suas atividades: 95,7% da água usada nas indústrias de transformação e construção são captados diretamente da natureza. Praticamente o mesmo ocorre nas indústrias extrativas (99,3%) e na agropecuária (96,6%). Já entre as famílias, 91,1% da água vem das empresas de captação, tratamento e distribuição.

Encerramos o mês dedicado às águas e iniciamos o mês dedicado aos povos indígenas. Eles que trazem consigo conhecimentos profundos sobre nossas águas, que têm reverência pelos rios e sabem cuidar como ninguém da nossa natureza. Estes povos, tão importantes na nossa história, na nossa preservação e na tentativa de buscar um caminho para o futuro, se sentem ameaçados e acuados. Mais que isso: eles sentem na pele a falta de diálogo com um governo que adota medidas administrativas e jurídicas para restringir seus direitos.

Para dialogar sobre a situação dos povos tradicionais, principalmente os indígenas, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) convoca etnias do Brasil inteiro, organizações indigenistas e a sociedade civil, para a maior mobilização nacional do ano – o Acampamento Terra Livre (ATL) que será realizado em Brasília – DF, entre os dias 23 a 27 de abril de 2018.

Saiba mais:

Brasil consome o equivalente a 35,4 bi de caixas d’água para produzir PIB de um ano

Apib divulga a convocatória do Acampamento Terra Livre (ATL) 2018

Legado do Fórum Mundial da Água, realizado em Brasília, é excelente



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