nosso
Olhar


As mulheres indígenas não marcham só por elas

Diz a mitologia Munduruku que, nos tempos antigos, as mulheres habitavam o ekçá – a casa dos homens – e cabia aos homens trabalharem para elas. Esses papéis foram invertidos mais tarde; como qualquer sociedade, as comunidades indígenas são dinâmicas: assimilam costumes e se adaptam às circunstâncias. Hoje, um novo movimento feminista floresce no mundo. As mulheres indígenas não querem voltar a habitar o ekçá, mas igualdade. E, principalmente, garantir que seus direitos, assegurados pela Constituição, sejam respeitados. Por isso, assumiram um novo papel e agora lutam, lado a lado, com os homens.

As mulheres têm se destacado no movimento indígena atual. São nomes como a deputada federal Joênia Wapichana, Nara Baré, que está à frente da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia (Coiab) e Sonia Guajajara, coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), candidata à vice-Presidência da República na última eleição. E não por acaso, as mulheres também estão à frente da luta contra as mudanças climáticas: segundo um estudo da Universidade de Sidney, na Austrália, são elas que mais sofrem com os seus efeitos.

É neste contexto que nasce a Marcha das Mulheres Indígenas, que começa hoje, Dia Internacional dos povos Indígenas, e vai até o dia 13, em Brasília. No desfecho, elas levam às ruas da cidade as suas reivindicações e no dia 14, juntam-se à Marcha das Margaridas. O evento começou a ser gestados a partir de 2016, quando foi realizado a primeira plenária de mulheres indígenas no Acampamento Terra Livre (ATL). O tema escolhido para o encontro foi “Território: nosso corpo, nosso espírito”. Nada mais adequado, já que os indígenas se consideram parte indissociável da terra onde nasceram e vivem.

E é bom que todos fiquem atentos ao que elas têm a dizer: o recém-divulgado relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU indica que a consolidação do direito à terra dos povos indígenas como uma das principais respostas para a crise climática. Nada mais óbvio: se a Terra é o corpo e a alma do indígena, ninguém melhor do que ele para cuidar dela.



Publicações

#PrayForAmazonas

Há quase dois séculos o romancista francês Victor Hugo escreveu que “é triste pensar que a...

O que acontece com os Wajãpi diz respeito a todos

Dificilmente alguém consegue se orientar por uma placa escrita em língua que desconhece. Ao abdicar da...

A luta dos povos indígenas é de todos nós

Durante o Fórum Nacional das Mulheres Indígenas, Sonia Bone Guajajara mandou uma daquelas "letras" que só ela sabe....

Contra o desmonte da saúde indígena

“Não vamos aceitar o desmonte da saúde indígena. Não vamos aceitar a municipalização da saúde indígena....

Primeira Marcha das Mulheres Indígenas

Mais de 2 mil pessoas participaram da Primeira Marcha das Mulheres Indígenas, em Brasília. Sob o...

Luta é substantivo feminino

Luta é substantivo feminino. De uma ocupação numa floresta na Alemanha, Greta Thunberg (agachada no meio)...

Emergência climática

O clima não está normal nem aqui, nem lá na China. Junho e julho de 2019...

Governo omite ataques a três aldeias Wajãpi

No fim de semana foram registrados três ataques coordenados a aldeias Wajãpi, no Amapá. Ao comentar...

Invasão ao território Wajãpi não é mera coincidência

Não é mera coincidência: no mesmo dia em que se noticia a invasão do território Wajãpi...