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Rios de Barcarena estão mais contaminados do que se pensava

Dira Paes, barcarena

Os crimes ambientais em Barcarena são muito maiores do que se pensava. Rios e igarapés desta região do Pará estão gravemente contaminados, como comprovou relatório do Instituto Evandro Chagas. Metais tóxicos, como arsênio, mercúrio, chumbo, cobre, alumínio e ferro foram encontrados nos rios Pará, Murucupi, Arienga, Arapiranga e Guajará do Beja, além dos igarapés Curuperê, Dendê, que cruzam comunidades vizinhas à refinaria norueguesa Hydro Alunorte. A concentração de chumbo, por exemplo, estava cinco vezes acima do limite estabelecido por lei. Nossas reservas de água estão ameaçadas, como aponta a atriz Dira Paes, a voz da nossa campanha pelos rios do Brasil! “É nosso direito e nossa obrigação protegê-los. Precisamos aumentar os debates em torno deste assunto urgente. Em nome de que estamos aceitando tanto descaso com nossas águas? ”

Os mesmos metais foram encontrados nos efluentes da refinaria, o que pode comprovar que houve o transbordamento em meados de fevereiro, quando Barcarena registrou uma chuva forte, provocando alagamentos. Os pesquisadores identificaram que o material tóxico se misturava a água da chuva e era lançado nos rios de Barcarena por três pontos de despejos clandestinos encontrados na Hydro Alunorte pela fiscalização do estado. As amostras das águas destes despejos também foram analisadas e demonstraram grande concentração de manganês.

“Os riscos ambientais são maiores do que se imaginava. Quando você joga efluente não tratado isso é caracterizado como um crime ambiental, muito mais do que apenas uma falha. Acho que a empresa tem que repensar o seu modo de produção”, comentou Marcelo Lima, pesquisador do instituto.

Ele ainda ressalta que os relatórios apresentados pela empresa Hydro sobre os rios e igarapés do entorno são “falhos e insuficientes”: “Porque esses dados não mostram os níveis de metais tóxicos nem mostram outras características físico-químicas, ou seja, não mostram que essas áreas apresentavam níveis de metais acima dos recomendados pela legislação brasileira.”

A saúde dos moradores que vivem no entorno do rio está em risco. Segundo médicos do Instituto Evandro Chagas, as altas concentrações de chumbo podem causar danos neurológicos e comprometimento esquelético. Por causa da contaminação, o órgão orientou a população a não usar o rio e recomendou a continuidade da distribuição da água potável.

Criado nos anos 1970, o polo industrial de Barcarena até hoje não tem licença ambiental. A cidade não dispõe de coleta de esgoto e nem de tratamento de lixo.

A Hydro afirmou que contratou a consultoria ambiental SGW para uma análise paralela e que promete apresentar as conclusões até 9 de abril. A refinaria foi multada em R$ 20 milhões por problemas de licenciamento.

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Fotos: FolhaPress



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